Turismo

Porto de Galinhas

Zarcillo Barbosa Especial para o JC Turismo
| Tempo de leitura: 5 min

Eleita pela décima vez como a "melhor praia" do Brasil, Porto de Galinhas tem voo de águia na preferência dos turistas. A antiga aldeia de pescadores transformou-se em um sofisticado centro de comércio e lazer, com bons restaurantes, pousadas e lojas de venda de artesanato, principalmente. Quem escolhe Porto de Galinhas como "a melhor" são os leitores da revista Viagem e Turismo. Pode ser que alguém discorde, mas turistas vindos de todos os Estados, inclusive do exterior adoram as praias de areias brancas, os coqueirais e as águas transparentes e mornas. Hoteis e resorts de cinco e quatro estrelas são encontrados em toda a orla. Oferecem bom tratamento, acomodações amplas e conjuntos aquáticos para os hóspedes se refrescarem e ganhar uma cor tomando o drinque preferido. Outra vantagem do Porto de Galinhas é o acesso fácil. São apenas 63 quilômetros desde o aeroporto de Recife. A interação com os peixinhos coloridos é outro atrativo proporcionado pelas piscinas naturais. Na maré baixa é possível a visita dos turistas, levados pelas jangadas com toda segurança até os arrecifes de corais.

A praia do Cupe tem 4,5 quilômetros de extensão. A barragem de arrecifes forma piscinas boas para banho. É nessa área que se concentra a maioria dos hotéis e pousadas, muitos deles situados à beira-mar. Muro Alto é uma piscina natural de três quilômetros de extensão. A praia emoldurada por coqueiros é assim chamada porque tem uma barreira de areia que a isola da arrebentação. É uma imensa piscina natural, sem ondas e águas muito claras. Há áreas excelentes, reservadas para esportes aquáticos. Do lado oposto temos o Pontal de Maracaípe, formado pelo rio do mesmo nome. Antes de desembocar no mar o rio oferece oportunidade de passeios de jangada para que o turista conheça o mangue, imenso viveiro de peixes, siris e cavalos marinhos. Enlaçados à ramagem das plantas típicas do mangue vivem os cavalos-marinhos que podem ser vistos em mergulhos com o uso de máscara. Os jangadeiros apanham os cavalos-marinhos e os colocam num recipiente de vidro, para matar a curiosidade dos turistas que nunca viram de perto essa criatura simpática e inofensiva. Os maiores atingem doze centímetros de comprimento, aos dois anos. É evidente que depois eles são soltos em segurança.

No centro da vila de Porto de Galinhas pode-se alugar um buggy para percorrer as praias. Por R$ 140 (o preço varia de acordo com o fluxo da temporada) para quatro pessoas há diversas opções de passeio. O mais comum leva os turistas até o Pontal de Maracaípe, com direito a paradas para banhos de mar, nos melhores lugares. Há também passeio à cavalo em Maracaípe, para quem tem espírito aventureiro. As trilhas passam por diversos ecossistemas. Há uma travessia do mangue, um tour pelas restingas da Mata Atlântica e por plantações de coqueiro. É uma espécie de far-west à beira-mar. Os escravos cumpriam essa trilha carregando sacos de farinha às costas. Uma antiga casa de farinha, a Igreja e o Mirante do Outeiro estão na rota para que você se sinta como alguém que viu a história de perto.

Vizinha de Maracaí está Serrambi. É um lugar para descansar, relaxar e curtir a natureza. Os recifes de corais estão sempre presentes para dar aquele charme somente possível com as coisas que Deus criou.

O porto dos escravos no período negro

A origem do nome Porto de Galinhas vem de 1850, quando vigorava a lei que proibia a importação de escravos. A Inglaterra, principal aliada de Portugal contra as forças de Napoleão Bonaparte, impôs um fim a esse comércio vergonhoso. De cada cem negros capturados na África, só 45 chegavam vivos ao destino final. Como vender escravos rendia um bom dinheiro, a prática continuou a acontecer de forma ilegal. Para disfarçar, os traficantes traziam os negros escondidos nos porões dos navios, encobertos de engradados da galinhas d?angola, a comida preferida da corte. Assim, a tripulação transformou em senha a chegada das "mercadorias" do tráfico negreiro. Criaram um código com palavras-chaves a anunciar a chegada de mais escravos: "tem galinha nova no porto". A palavra "nova" significava uma nova remessa de escravos. Por causa desses acontecimentos, o lugar ficou conhecido como Porto "de Galinhas".

Quando a corte portuguesa chegou ao Brasil, navios negreiros vindos da costa da África despejavam no Brasil entre 18 mil a 20 mil homens, mulheres e crianças por ano. Entre os séculos 16 e 19, cerca de 109 milhões de escravos africanos foram vendidos para as Américas. O Brasil, maior importador do continente, recebeu quase 40% desse total, algo entre 3,6 a 4 milhões de cativos, segundo os pesquisadores.

O tráfico de escravos era um negócio gigantesco, que movimentava centenas de navios e milhares de pessoas dos dois lados do Atlântico. Foi um dos maiores genocídios da história da humanidade. Dez milhões de cativos morreram durante o percurso.

Hoje, Porto de Galinhas tem a sua economia totalmente alimentada por um negócio lícito e que faz a felicidade de 700 mil turistas que a visitam por ano. Todo o complexo de praias e muitos dos mais luxuosos resorts do Brasil pertencem ao município de Ipojuca, que possui o mais extenso litoral de Pernambuco, com 32 quilômetros de muita beleza. Ipojuca (água-escura, em tupi-gurani) é o epicentro de um dos maiores pólos de desenvolvimento do Brasil, com o seu Complexo Industrial e Portuário de Suape, além das plantações de cana e as usinas e engenhos de açúcar e álcool. Porto de Galinhas, sem dúvida, é o distrito mais famoso.

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