Polícia

Polícia flagra ?novo? jogo do bicho

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.

Máquinas de cartão de crédito são atreladas à rede ilegal

Ousadia e modernização. Uma operação da Polícia Civil, através da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, descobriu um novo sistema de apostas e transmissão de jogos do bicho atuando na cidade. Esse sistema consiste na utilização de máquinas eletrônicas de cartões de crédito comuns atreladas a um dispositivo que liga o equipamento a uma rede clandestina.

 “Por meio desses equipamentos, que têm instalados um modem GSM com um chip de celular o bicheiro envia e recebe as apostas e resultados dos jogos a qualquer hora e qualquer lugar. Esses jogos, na maioria vezes, são modificados na central para que os apostadores percam” ressalta o delegado Cledson Luiz do Nascimento, da DIG.  Segundo ele, os jogos do bicho apreendidos nessa nova modalidade em Bauru fazem parte de uma banca de apostas chamada ‘Zoo’, que é vinculada a um grupo de bicheiros no Rio de Janeiro.

A apreensão do novo equipamento foi feita anteontem na quadra 2 do Jardim Nova Esperança, após os policiais suspeitarem de um camelô de 70 anos que era conhecido nos meios policiais por conta do jogo ilícito. Segundo a polícia, é o primeiro registro de apreensão desse novo dispositivo na cidade.

Na nova modalidade de jogo, ao invés dos bloquinhos de papel, os bicheiros utilizam a máquina de cartões que é comum no comércio e ajudam a disfarçar a atividade clandestina. “A princípio, se chegássemos a um estabelecimento não iriamos nem notar a presença desse equipamento como um indício, pois é uma máquina comum, mas agora descobrimos que a potencialidade dela para fins criminais é imensa além de ser rápida”, ressalta o delegado da DIG.

Com o novo sistema, a pessoa escolhe os números do bicho e digita no equipamento, que irá fechar e transmitir o jogo para uma rede central.  O comprovante da aposta, antes produzido por meio da cópia em papel carbono e carimbo, agora é impresso como um ticket comum e facilita a atividade ilegal.

“Antigamente o jogo do bicho era visto como uma coisa mais romântica, mas hoje surge como indício de lavagem de dinheiro entre outros delitos. Afinal de contas esse valor arrecadado pelo jogo é um dinheiro limpo, sem nenhum tipo de fiscalização” explica Nascimento.

A operação da Polícia Civil teve início nesta semana, e objetivou estourar pontos de jogos clandestinos. Nas primeira apreensões quatro máquinas caça-níqueis foram encontradas em uma residência na Vila Independência e apostas de jogos do bicho em um bar no centro da cidade. Com um nome sugestivo, o bar “Toca do Bicho”, escondia aos fundos um local onde era realizada parte do recolhimento dos jogos que eram feitos em papel. A polícia teria suspeitado da quantidade de motoqueiros nas redondezas e da movimentação do local. De acordo com a polícia, os resultados dos jogos realizados por meio de papel eram repassados aos motoqueiros responsáveis por distribuírem os resultados nos pontos de apostas.

Na sequência dessas apreensões, uma busca em um sobrado na quadra quatro da rua Alfredo Ruiz,  desmantelou um verdadeiro ‘escritório do bicho’, onde era feita toda a contabilidade do jogo ilegal e controle das apostas feitas em papéis. O local funcionava também como um estoque para os objetos destinados ao jogo, como papel timbrado das apostas, carimbos, envelopes, cartões, resultados, máquinas de calcular e aparelhos de fax.

Uma das pessoas flagradas na primeira ocorrência confessou receber uma porcentagem de 25% sobre os lucros das máquinas caça-níqueis, pertencentes a um homem de São Paulo. Já na segunda apreensão, a polícia apurou a participação de integrantes de uma mesma família, como responsáveis pela atividade clandestina do “escritório do bicho”. No caso das máquinas de cartões, o senhor que estava praticando a atividade foi levado para delegacia, prestou depoimento e foi liberado. O mesmo aconteceu com os demais acusados.

Segundo o delegado da DIG, diferentemente do Rio de Janeiro, Bauru ainda não registrou nenhum tipo de envolvimento de agentes públicos com o esquema dos jogos ilegais, apesar de a banca “Zoo” ser, como tudo indica, pertencente a um grupo de bicheiros da cidade carioca.

 

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