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Evite a melancolia de fim de ano

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

JC

Melancolia natalina pode ser superada com esforço pessoal, terapia e ajuda de amigos

As festas de fim de ano marcam um período envolto de sentimentos de paz e união entre as pessoas. Mas, para algumas delas, o momento que seria oportuno para a celebração entre amigos e parentes pode se transformar em dias e noites de tristeza e solidão.

Isto porque esta época coloca os indivíduos diante de reflexões existenciais sobre vitórias e fracassos, além de reavivar na memória a ausência de entes queridos que já morreram. Entretanto, segundo especialistas, esta “melancolia natalina” pode ser superada com algum esforço e a ajuda de terapia ou mesmo de pessoas próximas.

De acordo com o coordenador do Centro de Valorização da Vida (CVV) de Bauru, Antônio Alves da Silva, o volume de atendimentos do órgão cresce em cerca de 20% no mês de dezembro. Na maioria dos casos, tratam-se de pessoas deprimidas por conta da tradição das comemorações de final de ano.

“Elas relatam a falta que a mãe ou o pai fazem, ou porque faleceram, ou porque estão afastados por brigas. Também se queixam da solidão e algumas se mostram frustradas a respeito de projetos de vida que não foram alcançados”, frisa.

A psicóloga Suzana Duque Dabus, especialista em terapia cognitiva, explica que todas as pessoas ficam mais sensíveis durante o período natalino. Mas, para aquelas que possuem propensão à depressão ou sejam depressivas, este estado de espírito acaba gerando sensação de fracasso, baixa autoestima e desesperança.

Por este motivo, quem possui quadro psicológico já alterado são os mais vulneráveis a “acionar o gatilho” do sofrimento. Também são mais suscetíveis indivíduos perfeccionistas, com personalidade rígida ou demasiadamente introspectivos.

“Pessoas mais velhas, que já têm um histórico de perdas familiares, assim como aqueles que não possuem amigos ou família também tendem a ficar mais tristes e saudosistas nesta época”, cita.

Diante do problema, pular sete ondas na praia ou comer lentilha certamente não será a solução. Mas Suzana afirma que é possível combater esta depressão típica de final de ano, seja por meio de ajuda terapêutica ou de esforço.

 

Momento propício

Em primeiro lugar, é aconselhável evitar o rigor excessivo consigo mesmo, além de relativizar eventuais fracassos. “As pessoas que mais sofrem são as que possuem dificuldades para encontrar saídas e possibilidades para as situações difíceis. Dependendo do caso, ela precisará de ajuda terapêutica para se tornar mais flexível”, analisa.

Um outro passo é tentar elevar a autoestima ao reconhecer o quanto se é querido pelas pessoas mais próximas – seja um amigo ou parente, além de aproveitar para tentar resolver conflitos familiares e fraternos. “Esse sentimento de paz que marca o Natal é propício para isso. A pessoa não pode se fechar para os convites festivos e deve buscar companhia. Ficar sozinho em casa só piora a situação”, pontua Suzana.

Uma segunda dica é procurar ocupar-se com atividades que dêem prazer, como ler livros ou manter contato com a natureza. Outra orientação é não tomar a virada do ano como um marco para estabelecer “revoluções” com metas que dificilmente serão cumpridas e só provocarão ainda mais ansiedade e decepção a cada fim de ano.

Ter objetivos é algo positivo desde que sejam possíveis. Portanto, risque da lista planos de perder vinte quilos, comprar a casa dos sonhos ou ser promovido a presidente da empresa se não há chances de isso acontecer.

E, a despeito dos fracassos passados, quem não gosta ou se sente mal com as festas natalinas deve vislumbrar que o ano que se aproxima nada mais é do que uma nova oportunidade que se abre para estabelecer mudanças de vida. «O importante é encontrar caminhos para viver melhor nesta época e, quem sabe, até começar a gostar das comemorações. As pessoas precisam ter consciência de que o problema não é a existência do Natal e Ano Novo, mas de como elas os encara», finaliza.

 

 

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