Economia & Negócios

Aluguel sobe mais de 20% em 2011

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 4 min

A administradora Terezinha Aparecida Octaviano, 43 anos, teve uma surpresa ao receber o novo contrato de aluguel de seu apartamento localizado no Jardim Panorama, zona Sul de Bauru. Após o vencimento dos três anos do primeiro acordo a mensalidade do imóvel de três quartos e estrutura de padrão ultrapassado (mais de 15 anos) teve um reajuste de quase 50%. "De pouco mais de R$ 1 mil que pagava vou ter que aceitar cerca de R$ 1.490,00", conta.

O "presente" da administradora que mora com o esposo e retorna para o lar "apenas para dormir após o dia de trabalho" não é uma exclusividade. O mercado imobiliário de Bauru acompanhou o ritmo nacional e sofreu aumento de mais de 20% em 2011.

"Em três anos nunca atrasamos um mês sequer, mas me passaram que o proprietário está irredutível. Então, ou aceito ou caio fora. Ficamos reféns", conta, indignada, a inquilina. "Se ainda fosse um valor acumulativo, tudo bem. Mas não foi isso. Sempre houve reajustes nesses três anos que moramos nesse apartamento. Esse aumento de quase 50% é em relação ao último pagamento que fizemos. Se contarmos desde quando entramos chegaria a quase 80%".

Levantamento feito por uma das imobiliárias locais aponta que nos 11 meses deste ano, tomando por base todos os contratos renovados de locação (residenciais e comerciais) que realizou, houve aumento de 23%. "É uma tendência. Os novos contratos realmente estão mais caros a cada ano", resume Renato de Lima Barbosa, um dos sócios da imobiliária.

Em São Paulo, por exemplo, o valor do aluguel residencial registrou aumento médio para os novos contratos de locação de 19,8% nos últimos 12 meses terminados em novembro, de acordo com o Sindicato da Habitação (Secovi) de São Paulo. A variação é a maior registrada desde 2005.

O grande motivo apontado para a disparada é o aquecimento do mercado imobiliário devido às facilidades de financiamento e a alavancada econômica do País. "Quando existe crescimento econômico as pessoas pensam logo em trocar o carro, enfeitar a garagem e morar bem. Se o aluguel dobrou, o valor do imóvel triplicou. A valorização dos imóveis que estão à venda reflete na locação, pois o investidor quer obter uma remuneração maior pelo dinheiro aplicado", comenta Malú Moreno, corretora de imóveis há 15 anos.

A justificativa não convence quem se depara, de repente, com aumentos tão significativos nos gastos mensais, como foi o caso de Terezinha. "Ainda não podemos nos esquecer do que é cobrado de Condomínio. Estas, porém, são taxas de serviços prestados e que têm justificativa plausível".


Inversão

O índice adotado pela maioria do setor para reajuste de contratos de locação no momento do aniversário de vigência é o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que acumulou no período de dezembro de 2010 a novembro deste ano variação de 5,95%, inferior à inflação oficial de 6,64%. "Normalmente, um aluguel sofre reajuste após 12 meses do aniversário do contrato", afirma Malu Moreno. É nessa hora que o IGP-M entra em ação com seu valor acumulado em 12 meses neste vencimento. "Como o indicador atingiu 11,32%, os contratos de janeiro de 2012 terão alterações semelhantes ao indicador", explica.

Já ouviu falar na lei da oferta e da procura? Pois é nela que se pautam as justificativas para os aumentos nos reajustes dos alugueis. "Há cinco ou seis anos podíamos ver casas com cinco ou seis placas de ?aluga-se?, e hoje isso é raridade. A lei de oferta e procura se inverteu. Se quando existe muita oferta o preço é menor, logicamente quando existe muita procura o preço é maior", comenta a corretora.

Sem saída momentânea, inquilinos já planejam defesas contra os reajustes. "Isso (reajuste) podia ser como um seguro de carros, onde é levado em consideração a confiabilidade de quem está solicitando os serviços para avaliar o preço. É abusivo um aluguel de apartamento sofrer uma alta tão expressiva sem uma boa explicação. Afinal, que benefício temos se mesmo pagando em dia, sem atrasar um mês sequer e conservando bem o imóvel ainda recebemos um ?presente? desses na hora de renovar o contrato?", questiona Terezinha. "Agora já estamos espertos, e vamos nos preparar para daqui três anos quando terminar o novo contrato. Afinal, pode ser que ele tenha mais 50% de aumento".

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