Cultura

"Os Reinos" inova arte teatral

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

Com a proposta de quebrar paradigmas de formatos das apresentações teatrais e provocar reflexões sobre a relação entre o homem e o ambiente em que vive, o Grupo de Teatro Solar, apresenta, neste final de semana, o espetáculo que integra a segunda parte do projeto Lótus, "Os Reinos". O encontro cênico acontece neste sábado e domingo, às 20h30, no Teatro Municipal. A entrada é gratuita, mediante a doação de um brinquedo em bom estado, que será destinado às entidades cadastradas na Associação Bauru pela Diversidade (ABD).

O espetáculo a ser encenado é resultado de um trabalho que durou todo o ano. O projeto Lótus divide-se em quatro peças teatrais. Na primeira parte, já encenada, o grupo trabalhou com os elementos terra, água, vento e fogo. Nesta segunda parte, "Os Reinos" vai envolver o público com os reinos animal, mineral, vegetal e astral.

O encontro cênico é dividido em momentos que percorrem os quatro reinos. "Existe uma primeira cena em que o público se depara com reino astral. Em um segundo momento, será passado um vídeo que trabalhará o macro e o micro cosmo, a dialética. Há outras cenas ainda, em que fazemos o encontro entre céu e terra, seguida da cena do reino mineral e finalmente o reino animal", discorre Elio Andreotti, coordenador do projeto e responsável pela sonoplastia do espetáculo.


Quebra de paradigmas


"Os Reinos" é baseada em projeções de imagem e música e é encenada dentro de um formato que representa uma verdadeira quebra de paradigmas na relação entre público e obra. "Não gostamos de utilizar o termo ?apresentação teatral?, e sim ?encontro cênico?. Trabalhamos com a não-idéia de apresentação; nossa intenção é despertar as consciências, pois este público é tão importante quanto nós que estamos encenando", ressalta Andreotti. "Existem momentos e espaços alternativos fora do palco. No ano passado, deslocamos o público para o meio de uma mata, por exemplo. Nossa proposta é desestabilizar, desarranjar certos padrões que contaminam na sociedade moderna", completa.

Os ensaios de "Os Reinos" ocorreram o ano todo, pautados em obras como "O Efeito Sombra", de Deepak Chopra; "O Santo Inquérito", de Dias Gomes; "Sri Isopanisad", de A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada; "A cabala explicada", de Janet Berenson Perkins; "Os sete mestres", de Maria Silvia Orlovas; "Encontro Interno", de Trigueirinho e "Mensageiros do Amanhecer", de Bárbara Marciniak. Ainda há referências de "I Ching". Os trabalhos seguem também a linha de "Normose", que na definição de Pierre Weill e Roberto Crema, significa "patologia da normalidade".

O espetáculo integra 38 pessoas em cena e conta com apresentações especiais de Caroline Bincoletto e Luiza Bincoletto, Manú Saggioro, Marcelo Pinho e da cantora indiana Meeta Ravindra. Para o ano que vem, o grupo vai focar a terceira parte de Lótus, que vai evidenciar o homem, "que toma consciência e cria o caos em que estamos vivendo", explica Andreotti. A quarta fase encerra o ciclo de Lótus e vai ressaltar que o homem não está sozinho no universo. O Grupo Solar, que pertence à Divisão de Ensino às Artes, da Secretaria Municipal de Cultura, desenvolve pesquisas na área prática de linguagens cênicas como minimalismo, expressionismo, simbolismo e surrealismo e já criou "K", baseada em Franz Kafka; "dEUs ex Machina", em Albert Camus e Herman Hesse; "Réquiem, um estudo de incômodos", produzido a partir da dramaturgia de Eugene Ionesco, August Strindberg, Federico Garcia Lorca, Harold Pinter e Nelson Rodrigues e "On The Beats", após estudo sobre os autores-símbolos da geração beat Jack Kerouac, Allen Ginsberg e Willian Burroughs.

? Serviço

"Os Reinos", do Grupo Teatral Solar, será encenado hoje e amanhã, às 20h30, no Teatro Municipal (Nações Unidas, 8-9). A entrada é gratuita, mediante um brinquedo em bom estado. (14) 3235-1072.

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