O primeiro presépio, diz a história, foi montado por São Francisco de Assis na Idade Média, lá pelos anos de 1220. “O santo queria celebrar o Natal de uma forma mais viva. Pretendia relembrar o nascimento de Jesus de forma concreta”, explica o frei Jorge Luiz Maoski, da Paróquia Santo Antônio de Bauru.
De acordo com o religioso, São Francisco de Assis considerava o Natal a festa das festas. “Para ele e para nós, é uma festa importante. Nascimento e encarnação de Deus, a vinda dele ao mundo. A mais importante do ano. Ele idealizou o presépio para celebrar o Natal e convidou seus discípulos e confrades para participar.”
Para criar o presépio, o santo teria se baseado em relatos dos evangelhos. “Ele buscou os personagens como os pastores, os reis magos, os animais que era próprio da ocasião. Ele tinha uma grande reverência pelos animais, pela natureza, por isso, no presépio, aparecem as estrelas, o céu e a natureza que acolhem Jesus naquela noite em Belém.”
Ele imaginou, elaborou, teatrealizou um pouco o presépio. “O nascimento de Jesus com os personagens foram montados em uma gruta de pedra no Grecio, na Itália. Este local escolhido por ele fica em uma região montanhosa.”
Até hoje essa tradição é repetida e, na opinião do frei, por conta da fé do povo. “As comunidades vivenciam e celebram o Natal olhando um pouco a realidade de como aconteceu o nascimento de Jesus. Os presépios lembram essa realidade. Olham aquilo que compôs parte do nascimento de Jesus, a natureza, à noite e os pastores.”
Não só o presépio faz parte dessa festa, de acordo com o frei. “Os pisca-piscas simbolizam as estrelas, a árvore de Natal, a natureza. Toda essa simbologia faz parte da festa do Natal. No Interior, as famílias ainda montam presépio nas casas como sinal de fé. Nas grandes metrópoles, o Natal está mais voltado para o comércio, para o consumo.”
Nas cidades da região, os presépios estão presentes como nunca. Em versões mais contemporâneas, eles retratam o nascimento de Jesus de uma forma mais moderna, mas que desperta a fé da mesma maneira.
Em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), a praça da matriz virou cenário para o presépio que tem tamanho natural e pode ser visitado a qualquer hora do dia ou da noite, uma vez que fica em local de livre acesso.
Em Arealva (41 quilômetros de Bauru) um projeto focado em crianças e jovens criou um presépio aproveitando garrafas pets. Além de ajudarem o meio ambiente com a recolha do material, a versão do nascimento de Jesus se tornou atrativo turístico.
Em Mineiros do Tietê (65 quilômetros de Bauru), o presépio é tradicional. Montado por voluntários ele foi instalado no interior da matriz para manter viva a lembrança de Jesus.
A simplicidade do primeiro presépio idealizado por São Francisco de Assis pode ser vista no presépio de Presidente Alves (56 quilômetros de Bauru), que o mantém no interior da Igreja Santa Cecília.
Em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru), uma cooperativa montou o presépio em sua área de ocupação e a cada ano renova a decoração para chamar a atenção dos visitantes e manter a tradição .