O projeto socioeducativo, Conexão Jovem de Arealva (41 quilômetros de Bauru), uniu a preocupação com o meio ambiente com a tradição. O resultado foi um presépio em tamanho natural na praça principal da cidade. Feito a muitas mãos, o presépio utilizou 4.500 garrafas pets e meses de trabalho das 140 crianças e adolescentes que frequentam o local no contra turno das aulas.
O presépio é um orgulho para a aluna Laura Emile Moura, de 15 anos. “Eu participei de todo o processo. Recolhi as garrafas, ajudei a lavá-las, cortei, pintei os fundos e ajudei a montar nas armações de ferro. Foi muito gratificante.”
Há três anos frequentando as aulas teóricas e práticas, a adolescente confessa que, na sua opinião, o trabalho deste ano ficou muito melhor do que do ano anterior. “No ano passado, construímos o Papai Noel e a árvore. Este ano, o presépio, que é uma referência ao nascimento de Jesus Cristo, gostei do resultado, achei que ficou melhor do que o do ano passado.”
Ela comenta que está incentivando as pessoas a irem visitar o presépio porque realmente ficou muito bonito. “Colocamos mais enfeites. São mais figuras. A iluminação está chamando a atenção. Minha família, minha prima, todos já foram ver. A praça ficou melhor.”
A educadora em arte pet do Conexão Jovem, Lúcia Furquim Correa, explica que foram usados 4.500 fundos de garrafas pets recolhidas no município. “O restante da garrafa foi vendido como reciclável. O trabalho começou em abril com a arrecadação das garrafas e terminou em novembro com a pintura dos fundos e colocação na armação.”
Ela explica que em abril as crianças e adolescentes trabalharam na arrecadação das garrafas. Fizemos gincana. Em três meses foram arrecadadas 14 mil garrafas. Depois, todas foram lavadas e recortadas. A parte inútil para nós foi vendida. Na terceira etapa, os fundos foram pintados com látex.”
Para confeccionar o rosto de Maria, de José e dos anjos foi utilizada manta acrílica e para as vestes, TNT . “A ideia primeira veio há dois anos. Fui levar as crianças do projeto ao zôo de Bauru e na Sorri tinha um Papai Noel feito com as pets. Ele era pequeno e pensei em fazer um maior. No ano passado, fizemos o Papai Noel. Este ano, pesquisei na Internet e me inspirei.”
Grupo de voluntários mantém tradição em Mineiros do Tietê
Em Mineiros do Tietê (65 quilômetros de Bauru) o presépio é tradicional. Montado por cerca de 12 voluntários, na matriz Senhor Bom Jesus, ele usa as imagens convencionais e inova com ornamentações voltadas ao tema da fraternidade que este ano priorizou o meio ambiente.
“Há muitos anos montamos o presépio para manter a tradição, para lembrar o nascimento de Jesus. A vinda de Jesus como o salvador, aquele que alimenta nossa fé, aquele que morreu para nos salvar. Lembramos o nascimento daquele que representa a força da nossa fé”, explica a voluntária Maria Dorotéia Moreira.
Ela explica que o presépio de Mineiros do Tietê segue mais ou menos o que a igreja católica propõe. “O tema é o nascimento de Jesus . Conforme o evangelho do ano, este ano é o caminho, atentai-vos, vigiai-vos, nós montamos o presépio dando ênfase para sermos vigilantes, atentos às necessidades. Montamos a visita dos três Reis Magos, a manjedoura com Maria e José à espera de Jesus.”
Para lembrar o meio ambiente, foram colocadas plantas naturais. “Demos um enfoque maior no verde, porque lembra a campanha da fraternidade 2011. São plantas em vasos ornamentais que colocamos no local.”
A água em movimento, que usa energia de uma bombinha, foi colocada no presépio para lembrar o batismo, sinal da fé. “As crianças adoram. Elas passam várias vezes para olhar. Os animais é outro atrativo. Tem imagens de ovelhas, cavalo e vaca.”
Este ano, o presépio da matriz já está montado. Na próxima semana será iluminado. “Nós deixamos para colocar a iluminação no menino Jesus no dia do Natal. Preparamos na época do advento e a iluminação no dia do nascimento, porque a luz significa a presença viva de Jesus. A montagem é feita em um dia. Este ano, montamos em um altar lateral.”
A história do presépio
O projeto trabalhou a história do presépio, seu significado para a humanidade e tornou real, aquilo que as crianças conheciam pelos meios de comunicação, explica a diretora de Desenvolvimento Social do município, Fernanda Escobar Menegueti. “No projeto há a teoria e a prática. São atividades mensais, temas sócioseducativos.”
O adolescente Rômulo Maia Cardoso, de 13 anos, conta que aprendeu que o presépio representa o momento do nascimento de Jesus Cristo. “Os anjos estavam lá. Foi um dia difícil para Maria e José. Para mim este projeto significou muito porque foi o primeiro que participei. Eu ajudei em todo o processo e adorei colocar os fundos das pets nas ferragens e observar que de repente, um monte de ferro, ganhou um rosto, um significado.”
A diretora explica que a cada mês é escolhido um tema. “Trabalhamos muito a imagem do aluno dentro de sua família. Tem a parte explicativa e a lúdica, onde usamos o teatro, passeios, pesquisas e entrevistas.”
No mês passado por exemplo, conta a diretora, o tema era inclusão da pessoa com deficiência. “Trabalhamos o preconceito. Eles fizeram teatro e desenvolveram uma integração com a Apae. Nossas crianças foram recebidos pelos alunos da Apae que preparou várias atividades para que as crianças do Conexão entendessem a deficiência. Numa outra semana, a Apae veio até o espaço do Conexão para ver o que as nossas crianças prepararam para elas. Eles fizeram um jardim sensorial.”
Segundo a diretora, além das aulas de educação social, as crianças têm orientação sobre capoeira, informática, educação alimentar, esporte e artesanato. “Durante o ano todo, as crianças vão recolhendo as garrafas pets dos familiares e comunidade no projeto do meio ambiente que é anual. Promovemos gincanas e premiamos a sala que mais recolheu garrafas, a crianças que mais trouxe garrafas etc.”
Ambiente realista
A cada ano, dois artistas dão uma nova versão ao presépio de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru). O objetivo da montagem do presépio em praça pública é um resgate mantido a partir de 2005, explica Toni D. Souza, um dos artistas que trabalha no projeto. Segundo ele, a proposta deste ano foi novamente criar um ambiente realista. “Tecidos bastante coloridos, detalhes com brilho, areia, palmeiras, feno e madeira deram vida ao presépio construído sobre a antiga cascata desativada da fonte da matriz, na praça central.”
Souza explica que se a ideia de São Francisco de Assis no Natal de 1223 foi montar o presépio para explicar às pessoas mais simples o significado e como foi o nascimento de Jesus Cristo, importante momento cristão, o presépio de Pederneiras também atinge o mesmo objetivo.
O trabalho, de acordo com ele, é desenvolvido juntamente com o artista Luiz Fuluzete. “Com muita criatividade, procuramos alternativas, materiais diversificados e diferentes linguagens artísticas para a montagem. O único ponto em comum todos os anos é o tamanho natural. O presépio já foi montado de forma totalmente realista, roupas da época, manjedoura e personagens de tamanho real. Personagens pintados de forma tridimensional em placas de madeira; todos os personagens dourados instalados sobre tecido de cor palha criando uma atmosfera clean.”
Antiga cascata vira cenário de presépio em Pederneiras
Uma antiga cascata existente na praça da matriz de São Sebastião, em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), se transforma na época do Natal. Pelo segundo ano consecutivo, o local vira cenário de presépio. Com o uso de iluminação cênica, o atrativo é visitado por centenas de moradores e turistas.
O diretor de Cultura e Turismo, Geraldo Cardoso Jr., lembra que com a ajuda de dois artistas da cidade, eles montam um presépio em tamanho natural. “Usamos manequins para montar as personagens. Eles ganham vestimentas típicas para representar Maria, José e os Reis magos. Fizemos a manjedoura. Colocamos animais como a vaca, cavalo e ovelha para dar mais originalidade.”
De acordo com o diretor, no primeiro ano, a repercussão foi muito grande. “Além dos moradores há os parentes que chegam para as festas de final de ano. É um atrativo a mais na cidade. A praça fica muito próxima do centro comercial, o que favorece a visitação.”
Ele explica que, este ano, o presépio foi resultado de uma semana de trabalho. “O presépio fica a céu aberto. No ano passado, eles usaram muita chita e juta, uma vestimenta rústica para vestir os manequins. Na versão 2011, os artistas preferiram abrasileirar as vestimentas. Usaram tecidos mais contemporâneos. Tem bastante verde. No anterior, usamos muito MDF.”