Política

?Nossa economia esfriou?, diz Skaf

Por Wilson Marini | Rede APJ
| Tempo de leitura: 4 min

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, defendeu nesta semana a competitividade como saída para enfrentar a crise internacional que, segundo ele, ainda não afetou a economia brasileira. Energia elétrica, logística e juros são custos que afetam gravemente a indústria e que dificultam a competição com outros países. A guerra dos portos e a guerra fiscal entre os estados também tiram competitividade dos produtos nacionais, segundo ele. Como solução para a economia em 2012, Skaf destacou entre outros pontos a necessidade de mais crédito e resolver o problema do câmbio "que é volátil, livre, difícil de controlar".

"O País marcou passo em 2011. Não avançamos. A nossa economia esfriou", disse Skaf . "Foi um erro a subida dos juros no primeiro semestre. Errada a preocupação com a demanda. Sem demanda, não há investimento, sem investimento não há emprego e sem emprego não há consumo. Geramos mais empregos industriais fora do Brasil do que aqui". Skaf chegou a usar a expressão "irresponsabilidade" ao analisar o desempenho do primeiro ano do governo Dilma em relação à economia e disse que a Fiesp não tinha nada a comemorar e nem a elogiar em relação ao governo.

"O câmbio irreal rouba a competitividade brasileira. Há necessidade de medidas para preservar os interesses do Brasil, das pessoas, dos trabalhadores". A falta de competitividade segundo ele não é só um problema da indústria "mas do país".

O presidente da Fiesp defendeu que o governo federal precisa criar condições para reduzir a taxa básica de juros para níveis mais próximos do patamar internacional. "O Brasil não pode ter medo de crescer. No ano inteiro alertamos que se não fossem tomadas medidas compensatórias no sentido de evitar importações predatórias, teríamos um deficit na balança comercial de manufaturas de US$ 100 bilhões. Isso é prejuízo, é exportar 2 milhões de empregos para outros lugares, ruim para a indústria porque não é a ela que falta competitividade, não tem culpa do real sobrevalorizado".

Para Skaf, "ficamos seis ou sete meses discutindo a troca de ministros". Segundo ele, "reconhecer um erro é um mérito", mas o país "não pode ficar por conta da troca de ministros e fechar o ano de 2011 só com essa marca".


Previsões

A entidade também fez outras projeções para 2012. A indústria como um todo deve expandir-se 2,3% no próximo ano (contra 1,9% em 2011), sendo que a indústria extrativa mineral deve avançar 2,9% (2,6% em 2011), a construção civil, 3,5% (mesmo índice em 2011) e os serviços industriais de utilidade pública devem crescer 3,7% (3,9% em 2011).

As projeções da Fiesp levam em conta um cenário base em que o PIB mundial cresceria 2,1% no próximo ano (contra 2,6% em 2011). O dos EUA deve ter expansão de 1,3% (contra 1,7% em 2011); o do Japão, 2,2% (-0,3% em 2011); e o da China, 8,2% (contra 9,1%). O PIB da zona do euro deve apresentar crescimento positivo de 1,5% em 2011, mas deve cair 0,3% em 2012, segundo as projeções da Fiesp. Já o preço médio das commodities em dólar deve ter queda de 9,1% em 2011 (contra crescimento de 19,8% em 2011).


Energia elétrica

"As empresas falam que têm direito a R$ 47 bilhões de indenização, mas a a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) ainda não falou, estranhamente. Não cabe às empresas falar. É como a raposa tomar conta do galinheiro", comentou Paulo Skaf.

"As geradoras não têm direito a nada. Quando houve mudança para o regime de preço livre, não tem mais o direito de pedir qualquer pedir ressarcimento por eventual falta de amortização". Para Skaf, "se a energia é cara no País, tem fazer leilões nos vencimentos dos contratos para baratear".


Juros

A Fiesp calcula que o governo brasileiro pagará R$ 237 bilhões de juros este ano segundo o painel "Jurômetro" inaugurado pela entidade para demonstrar à sociedade quanto se gasta de juros (site www.jurometro.com.br). Os próximos cálculos abrangerão o montante gastos pelas empresas e os consumidores. "O Brasil tem a maior taxa de juros do mundo", diz Skaf.


Avaliação em números

A Fiesp prevê 2,8% de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2011 (contra a previsão inicial do governo em torno de 4,5%) e 2,6% em 2012. Os dados foram apresentados na última terça-feira em balanço de fim de ano na sede da entidade, em São Paulo.

O encontro teve início com uma análise do Departamento de Pesquisas Econômicas que apontou a transformação industrial como o segmento "mais preocupante" da economia em relação aos efeitos da crise global neste segundo semestre. O setor deverá fechar o ano com crescimento de 0,9%, considerado baixo. Para 2012, a projeção é de 1,5%.

Preocupante também, segundo o órgão, é a capacidade de geração empregos: a tendência é de desaceleração na indústria paulista, com projeção de crescimento de empregos de apenas 0,2% em 2011 e de 0,5% em 2012. O PIB da agropecuária deverá crescer 4% em 2011 e 4,5% em 2012 e o setor de serviços, respectivamente 2,9% e 3%. O consumo das famílias deverá crescer 3,8% em 2011 e 4% em 2012; o consumo do governo, 2% e 3,4%. O indicador de nível de atividade (INA) da indústria paulista deve ter expansão de 1,7% em 2012 (contra 1% em 2011).

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