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Buffet rejeita festa de última hora

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 5 min

Último mês do ano, contagem regressiva para 2012. Tempo de comemoração e confraternização nas empresas. Seja no colégio ou no trabalho, na maioria dos casos a organização da festa que marca o final de mais um ciclo é entregue nas mãos de empresas especializadas.

Deixar as preocupações nas mãos de contratados é a alternativa mais procurada principalmente no mês de dezembro, que compreende o que é chamado de temporada das festas. O problema é quando nem as empresas mais conceituadas em organizar esse tipo de confraternizações conseguem atender a demanda.

Para as três últimas semanas de 2011 as agendas dos buffets da cidade estão lotadas e quem deixou para a última hora acaba se deparando com preocupações que não esperava. "Tivemos que dispensar alguns clientes, independentemente do tamanho das festas solicitadas, mas pelo problema do tempo mesmo. Por termos uma empresa que organiza formaturas, nossos acertos são feitos com um ou dois anos de antecedência. Mas na semana passada tivemos a procura de uma pessoa que queria realizar um evento para daí sete dias. Explicamos que não teríamos condições, pois não há tempo para organizar em uma agenda que está completa", conta Fernando Mantovani, proprietário do buffet Mantovani.

Para garantir os serviços do buffet Marcia e Marô, por exemplo, ao acertar contrato para as confraternizações que brindam o final de 2011, algumas empresas já agendaram a festa de despedida de 2012. "Se você quiser marcar um evento para dezembro do ano que vem existem datas que já estão cheias. Esse é um período muito disputado devido a demanda ter o acréscimo das confraternizações e festas de encerramento do ano. É um mês cheio de complicadores", diz o proprietário Léo Amantini. "Tive que dizer não até para alguns amigos".


Dilema

O dilema foi enfrentado por uma agência de viagens que resolveu preparar um coquetel para seus clientes e empresários no início da semana. "Percorremos quatro grandes buffets da cidade e não conseguimos acertar com nenhum devido ao tempo que era muito curto, meio que de última hora. O jeito foi acertar com um buffet que conhecemos e sabemos da qualidade da comida e contratarmos uma empresa terceirizada para fazer o serviço com garçons", afirma Mariana Petelinkar, da assessoria da empresa.

Dispensar serviços vai contra os princípios do mercado, mas se torna necessidade quando os trabalhos prestados representam, em um mês, um terço do acumulado total do ano. Uma decisão que os empresários custam a se acostumar. "Tem uma hora que você é obrigado a dizer não, mesmo com dor no coração, pois sobrevivemos disso. Porém sabemos que, além de fazer a festa, temos a obrigação de oferecer qualidade. Temos que abrir mão para não fazer loucura", diz Lucilene Marcelino Florenzano, proprietária do Buffet Comissaria Bauru e Eventos.

Ela conta que a demanda nas semanas que antecedem as duas últimas do ano, onde serão comemorados Natal e Ano Novo, além das confraternizações, acumula muitas formaturas. "São encerramentos de um modo geral", diz. Além disso, boa parte dos casamentos acontecem nesta época do ano, exprimindo ainda mais a já apertada agenda dos buffets. Até o velho "amigo secreto" ganhou uma nova versão. "Não tem mais aquela história de cada um leva um prato de salgadinho e um refrigerante, agora os amigos e empresas buscam serviços de buffet para garantir a festa", comenta Marisa Gonçalves, também proprietária de buffet.

Ela conta que só na semana antes do Natal (do dia 11 ao 17) foram quase 10 eventos, ou seja, média de 1 evento "e meio" por dia. "De sábado passado (03) até segunda-feira (12) meu celular não parou de tocar. Ano que vem vamos ter que tomar cuidado para não perder tantos eventos. Vamos ter que nos preparar melhor".


Faltam garçons e cozinheiras para atender todos os serviços

Como sempre, em se tratando de economia, existem dois lados da moeda. Enquanto a demanda de final de ano abre centenas de vagas temporárias, a dificuldade para encontrar garçons, cozinheiras e copeiras é constantemente enfrentada pelos empresários. "Posso dizer que nessa época nosso efetivo chega a ser quatro ou cinco vezes maior. E ainda faltam funcionários, assim temos que adaptar o que temos", conta Léo Amantini.

Em alguns casos, os funcionários que já são fixos se desgastam pelos trabalhos que começam logo cedo e se estendem até a noite. Só no buffet Comissaria são 12 funcionários fixos, ou seja, que trabalham o ano todo. Para essa época do ano o efetivo é triplicado. "Não tem como ser diferente", diz a proprietária Lucilene Florenzano.

Em média, um garçom ganha por evento de R$ 60,00 a R$ 100,00. "Existem alguns funcionários que vêm sem vontade para se encostar nos outros e ganhar um cachê fácil. Nossa orientação não é para que saibam tudo, mas que tenham boa vontade. Temos que buscar referência, analisar a experiência e tentar nos certificar que estes temporários não colocarão em risco a prestação do serviço", diz a empresária.

Preferindo não se identificar, alguns funcionários chegaram a confirmar que existe uma especulação que atormenta ainda mais a vida de alguns buffets. "Os bons garçons e funcionários às vezes são procurados por outras empresas que oferecem mais", disse, um deles, à reportagem. "Não é ilegal, mas também não é ético".

Para evitar esse tipo de constrangimento, alguns empresários adotaram medidas diferentes. Fernando Mantovani explica que estabeleceu a política de treinamento de novos funcionários para garantir a qualidade de atendimento na "alta temporada" dos buffets. "Estamos no mercado há muito tempo e sempre convivemos com esse problema. Existe uma dificuldade frequente dos prestadores de serviços para encontrarem profissionais. A nossa solução foi treinar alguns novos funcionários para atender a demanda".

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