Foi iniciada e concluída ontem a mudança de 132 famílias do Jardim Ivone e do Flórida contempladas pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Todos eles moravam em áreas irregulares, ambientais e de risco, em função de uma grande erosão, às margens do Córrego Barreirinho. O local deve ser arborizado, cercado e transformado em um bosque urbanizado, segundo a vice-prefeita Estela Almagro.
Além da mudança para as novas casas, todos os barracos foram demolidos ao longo da manhã e da tarde de ontem. O entulho será retirado a partir de amanhã e o grande desafio do poder público municipal é garantir que o espaço não volte a ser ocupado novamente. "Muita gente não acreditava que poderíamos concluir todo o trabalho de remoção em um só dia, mas eu insisti nisso porque a gente precisa fazer com que mais nenhuma família vá para lá", afirmou Estela.
Segundo a vice-prefeita, o local será cercado e transformado em um bosque. "Existe um projeto da Secretaria municipal do Meio Ambiente. A princípio, será executado com recursos próprios do município, mas nada impede que pensemos em uma proposta mais ousada através de parcerias", contou.
Mudança de vida
Além de irregular, a área em que viviam as famílias reassentadas era inóspita. A mudança para a casa nova, subsidiada pelo Governo Federal junto à Caixa Econômica Federal (CEF), é motivo de felicidade classificada como ?inexplicável? por Maria Amélia de Oliveira, que trabalha cuidando de um idoso. "Vai ser uma mudança na minha vida", diz, emocionada.
Dona Amélia está ansiosa por um dia de chuva, para que possa sair de casa sem preocupações. Isso porque o barraco onde vivia era tomado por sapos quando a água caia do céu. "Parecia que chovia sapo junto. Já apareceram lá pelo menos umas cinco cobras, mas o meu maior pavor era com os sapos", conta.
Os sentimentos de cidadania e de dignidade também vêm junto com a casa nova, que será paga pelos contemplados em parcelas mensais que variam entre R$ 50,00 a R$ 160 reais, de acordo com a renda mensal, pelos próximos dez anos. "Fico muito feliz em saber que vou ter minha própria conta de luz, de água, além de poder ficar com o meu neto em um local seguro, bom para viver", comemora.
No entanto, as pequenas coisas para a maioria das pessoas é o que vai fazer mais diferença na vida dessas pessoas. Chuveiro e vaso sanitário, por exemplo, não existiam na casa de Amélia. "É muita realização para quem tomava banho de canequinha e fazia as necessidades no meio do mato".
Macarronada especial
Há quatro anos, dona Amélia cumpre um ritual: mobiliza amigos, conhecidos e parentes para a preparação de grande quantidade de macarronada para a distribuição em comunidades carentes. "A gente tem pouco, mas vale muito a pena", conta ela.
No último domingo, o gesto de solidariedade e cidadania foi ainda mais especial, segundo Amélia, por conta da emoção da véspera da mudança para a nova casa. "Foi um presente de Natal e eu sentia que precisava retribuir. Fizemos 20 tachos de macarronada e distribuímos junto com refrigerante e balas no Jardim Nicéia, Parque das Nações e na favela do Jardim Europa".
Trabalhos duram 12 horas
Para garantir a mudança das 132 famílias em apenas um dia, foram mobilizados 130 servidores da Prefeitura de Bauru e uma frota de mais de 30 equipamentos entre veículos, caminhões e as máquinas pesadas para o desmonte dos barracos. Árvores de espécies invasoras e exóticas também foram retiradas para que a área possa ser reocupada.
Os imóveis entregues ficam em áreas do bairro do Jardim Ivone e foram construídos pela construtora Gobbo Engenharia. As famílias beneficiadas fazem parte da demanda dirigida que vem sendo atendida dentro do Programa de Reassentamento de áreas de risco, que já atendeu 38 famílias que hoje residem na Vila São João do Ipiranga e outras 39 no Parque Santa Cândida.
O valor individual das unidades residenciais foi calculado em R$ 46.000,00. O valor total será subsidiado pelo Governo Federal é de R$ 6.348.000,00, com contrapartida do município que doou os lotes e realizou as demais obras de infraestrutura.
Os recursos do MCMV englobam também a pavimentação das vias que receberam as unidades. Apenas uma, onde estavam também os barracos demolidos, receberá o asfalto após a remoção.