Buenos Aires - O Senado argentino deve votar hoje a lei proposta pelo Executivo que faz com que o papel-jornal seja considerado bem de interesse público. A lei já foi aprovada na Câmara de Deputados e a expectativa é que passe também pelo Senado. O governo de Cristina Kirchner tem maioria em ambas as câmaras.
A aprovação da lei significa que o Estado passará a poder controlar a produção e a distribuição do papel para jornal. Trata-se de mais uma investida do governo contra o grupo Clarín, principal grupo de comunicação argentino. Os kirchneristas dizem que a lei democratizará o acesso ao insumo a veículos do interior.
O governo é sócio, junto ao Clarín e ao jornal “La Nación” da empresa Papel Prensa, principal produtora de papel-jornal do país.
Com a lei aprovada, o governo pretende aumentar o capital investido na empresa para que ela possa funcionar em sua capacidade máxima e, assim, prover de papel a todos os veículos do país que desejarem. O controle de quem receberá o papel, porém, será do Estado.
Ontem, a Justiça determinou uma intervenção da justiça na sede da Cablevisión, empresa de canal a cabo pertencente ao grupo Clarín.
A gendarmeria - força policial que cuida de fronteiras - entrou no prédio e revistou bolsas e gavetas de funcionários. A decisão, expedida por um juiz da província de Mendoza, atende a pedido do grupo Uno, que controla uma operadora aliada ao kirchnerismo. A intervenção será de 60 dias e o diretor da empresa foi afastado.
O conflito do governo Cristina Kirchner com os meios independentes, que fazem oposição à sua gestão, começou em 2008, quando houve o conflito com o campo.
Cablevisión
Deputados de diversos partidos da oposição convocaram diretores da Cablevisión para uma reunião ontem. Eles querem ouvir a versão da emissora sobre a invasão de anteontem à sede do grupo e decidir os passos que serão tomados a partir de agora, segundo informou o site do jornal “La Nación”.
Para representar a emissora, participarão do encontro o gerente-geral, Carlos Moltini, e diretores do grupo Clarín. “Fomos convocados para mostrar nossa versão do que ocorreu”, disseram os representantes da Globovisión ao site do “La Nación”.
Ainda segundo o site, também é possível que participem da reunião trabalhadores da empresa e membros do Sindicato Argentino de Televisão.
O juiz federal Walter Bento ordenou anteontem a intervenção na sede da operadora de TV a cabo Cablevisión, do grupo Clarín, o maior do setor de multimídia da Argentina, que interpretou o fato como parte de uma “perseguição” do governo de Cristina Kirchner.
Cinquenta agentes da polícia militar entraram na sede da Cablevisión em Buenos Aires, cumprindo ordens do magistrado da província de Mendoza (oeste), por denúncia de “exercício presumível de concorrência desleal” e “posição dominante”.
Em 2010, o grupo Clarín teve um faturamento acumulado de 7,6 bilhões de pesos e lucro antes de impostos de 2,3 bilhões. Cerca de 77% desses ganhos foram originados das operações da Cablevisión.