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País tem 11,4 milhões de pessoas vivendo em moradias irregulares

Folhapress
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Rio - Dados do Censo divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que, em 2010, 6% da população brasileira vivia em favelas e similares.

Isso significa que 11,4 milhões dos 190 milhões de habitantes do País moravam em áreas de ocupação irregular e carência de serviços públicos ou urbanização - chamadas pelo IBGE de “aglomerados subnormais”.

No total, o Censo identificou 6.329 favelas e similares no País, que somavam 3,2 milhões de domicílios e estavam distribuídas por 323 municípios. Entraram no levantamento apenas as áreas que concentravam ao menos 51 domicílios nessas condições.

A região Norte foi a que apresentou a maior proporção de pessoas vivendo em favelas, palafitas e similares -12% da população local. Em seguida vêm o Sudeste (7%), o Nordeste (6%), o Sul (2%) e o Centro-Oeste (1%).

Em números absolutos, porém, é o Sudeste que reúne o maior contingente de pessoas vivendo nessas áreas - são 5,9 milhões de moradores, mais da metade do total do País.

Apesar de ser um fenômeno presente em todas as regiões do País, a existência de favelas e similares é mais comum nas grandes cidades e em seus entornos.

De acordo com os dados, 20 regiões metropolitanas concentram 88,6% do total de domicílios do País caracterizados por ocupação irregular e precariedade de serviços públicos ou urbanização. São Paulo e Rio de Janeiro são as principais delas - juntas, têm quase metade (43,7%) das residências nessas condições.

De acordo com Elisa Caillaux, pesquisadora do IBGE, a concentração de favelas e similares nas regiões metropolitanas está ligada ao preço mais elevado de terrenos e à atratividade que essas regiões exercem devido à maior oferta de trabalho.

Segundo o IBGE, é comum que as ocupações irregulares ocorram em áreas menos propícias à urbanização, como encostas íngremes no Rio de Janeiro, áreas de praia em Fortaleza, vales profundos em Maceió, baixadas permanentemente inundadas em Macapá, manguezais em Cubatão (SP) e igarapés e encostas em Manaus.

 

População

O Censo de 2010 mostra que 55,5% da população que vive em áreas de ocupação irregular com serviços ou urbanização precários é parda. Já os brancos representam 30,6% dos moradores de favelas e similares, enquanto os pretos somam 12,9%.

Na população brasileira como um todo, o maior percentual é de brancos, que representam 48%. Em seguida vêm pardos (43%) e pretos (8%). A classificação de cor no Censo é autodeclaratória, ou seja, é o próprio entrevistado quem define sua cor.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as favelas também concentram mais moradores jovens. A idade média nesses aglomerados é de 27,9 anos. Nas áreas de ocupação regular dos municípios que têm favelas, ela chega a 32,7. Na média nacional, é de 31,3.

Já a taxa de analfabetismo das pessoas com 15 anos ou mais nessas comunidades é de 8,4% - exatamente o dobro dos 4,2% das áreas regulares em seu entorno. O analfabetismo nas favelas, no entanto, é menor do que a média nacional, de 9,6%. Isso porque o problema é mais presente nas zonas rurais do País.

 

Rocinha é a maior favela do País

Rio - A favela da Rocinha, em São Conrado, zona sul do Rio de Janeiro, é a maior do país. Segundo dados do Censo, a comunidade tinha 69.161 habitantes no ano passado.

Na pesquisa, porém, o IBGE procurou seguir a divisão legal dos registros das prefeituras. Com isso, alguns complexos de comunidades do Rio, como o do Alemão e o da Maré, tiveram suas favelas contabilizadas isoladamente.

A região metropolitana de Belém, no Pará, é a que tem a maior proporção de habitantes vivendo em áreas ocupadas irregularmente e com serviços ou urbanização precários. No total, segundo o IBGE, 52,5% dos domicílios da região se encontram nessas condições. Juntos, eles reúnem 54% da população local.

Em seguida vêm as regiões metropolitanas de Salvador (26% da população em favelas e similares), São Luís (24,5%) e Recife (23,2%).

 

 

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