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Greve em companhias aéreas está prevista, dizem sindicatos

Folhapress
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Brasília - A greve nos aeroportos continua prevista para começar às 23h de hoje, afirmam os sindicatos dos aeroviários e dos aeronautas. Caso não haja acordo entre os funcionários e as companhias aéreas, a paralisação deverá acontecer por tempo indeterminado.

Os trabalhadores reivindicam aumento de 8% nos salários, correspondente à reposição de inflação e ganhos de produtividade. As empresas concordaram em conceder 6%.

Na tarde de hoje, haverá uma assembleia entre os funcionários para que se estabeleçam os termos da greve. Segundo um representante do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), não se descarta a possibilidade de haver um acordo ainda na quinta.

O Sindicato Nacional dos Aeronautas (Sna) informou que 20% dos funcionários estarão trabalhando, conforme estabelece a legislação. No total, serão 12 mil funcionários, se revezando em escalas. As empresas aéreas deverão escolher em quais voos e trajetos os funcionários disponíveis deverão trabalhar. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou estar acompanhando a negociação entre os trabalhadores e as companhias e acreditar “no bom senso entre as partes para que os passageiros não sejam prejudicados”.

Segundo a agência, será cobrada das empresas aéreas a execução dos planos de contingência elaborados para períodos de maior fluxo de passageiros, como neste final de ano. Também será intensificada a fiscalização das operações para que sejam mantidos os direitos dos passageiros e a segurança dos voos, disse a Anac.


Em Brasília, a Infraero (empresa que administra os aeroportos) informou que os voos pousam e decolam normalmente ontem.

Anteontem, o Snea (sindicato das empresas aéreas) fechou acordo de reajuste com os sindicatos dos aeroviários do Município do Rio e da Amazônia - ambos vinculados à Força Sindical.

A convenção coletiva estabeleceu reajuste salarial de 6,17%. Piso salarial, vale refeição e cesta básica terão correção de 10%. Ainda foi criado piso salarial de R$ 1.000,00 para operador de equipamentos, e as empresas passam a reconhecer os parceiros do mesmo sexo, o que permite, por exemplo, a inclusão em planos de saúde.

O Snea espera fechar esse acordo com os demais sindicatos dos aeroviários e aeronautas. “Foi um acordo muito importante dentro das atuais circunstâncias. Apesar do clima de incertezas que rondam a economia no próximo ano, as empresas repuseram integralmente o INPC. Tendo em vista o clima de calma, harmonia e diálogo dentro das empresas, não parece razoável que se faça greve por causa de 0,77%, que é a diferença entre o índice solicitado e o concedido”, disse, em nota, o negociador do Snea, Odilon Junqueira.

Em comunicado aos passageiros, o Snea afirma que, se os sindicatos insistirem na greve, as empresas buscarão reduzir seus efeitos sobre a população cancelando folgas e convocando empregados “dispostos a garantir pleno atendimento a seus clientes”.

O sindicato patronal afirmou ainda que, devido à crise internacional, nos últimos seis meses as principais empresas brasileiras do setor sofreram prejuízos superiores a R$ 1 bilhão.

 

Entenda o caso

Anteontem, representantes dos trabalhadores se reuniram com o Snea no Tribunal Superior do Trabalho (TST), sob a orientação da ministra Maria Cristina Peduzzi.

Tanto os aeronautas - pilotos e comissários de bordo -, quanto os aeroviários - equipe que trabalha em terra - reivindicavam aumento de 10% no salário, correspondentes à reposição da inflação e à adicional de produtividade.

As companhias aéreas estavam dispostas a conceder aumento de 3%. Após a reunião com Peduzzi, os funcionários concordaram em reduzir o aumento para 8% e as empresas aumentar para 6%. Como não se chegou a um número em comum, a previsão de greve continua.

 

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