Regional

Lençóis investe mais de R$ 3 milhões em obra contra enchentes

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Lençóis Paulista – Quase um ano depois da forte chuva que deixou parte de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) debaixo d’água, além de 344 pessoas desalojadas (temporariamente sem abrigo) e 39 desabrigados (leia mais abaixo), e às vésperas da chamada estação das águas, a prefeitura anunciou que está investindo mais de R$ 3 milhões em diversas obras de contenção visando evitar novas inundações.

No início do ano, a administração estimou os prejuízos causados pela chuva em cerca de R$ 4,6 milhões. Até agora, as ações feitas, em andamento e previstas no cronograma de obras atingiram o montante de R$ 3.014.209,95. Entre as já concluídas estão a criação de Comissão Especial de Estudos para prevenção e enfrentamento de enchentes e construção de muro de proteção às margens do Córrego da Prata, entre a Vila Cachoeirinha e Jardim Monte Azul, no valor de R$ 143.942,29.

As obras em andamento incluem a construção de ponte de concreto armado na rua Manoel Amâncio, interligando a Vila Repke à Vila Maria Cristina, no valor de R$ 564.432,13; obra de contenção e drenagem de águas pluviais na Vila Contente, orçada em R$ 317.835,53; e implantação de 3.065 metros de redes de galerias para captação de águas pluviais em toda a área urbana, num investimento de R$ 1,7 milhão.

A prefeitura prevê ainda construir 120 metros lineares de muro de contenção às margens do Lago da Prata, obra estimada em R$ 288 mil. Além disso, para serem aprovados pelo Executivo, os novos loteamentos deverão dispor de área permeável, segundo o Plano Diretor Participativo. Também está em estudo a inclusão, na legislação municipal, de exigência de caixa de infiltração e piscinões para controle do fluxo de águas pluviais nas novas construções.

Na opinião do analista de Meio Ambiente e graduado em Gestão Ambiental, Sidney Aguiar, as diversas ações desenvolvidas pelo município, após reuniões com o Ministério Público (MP), ajudam a reduzir o risco de novas inundações. “Do ponto de vista estrutural, a cidade está preparada, pois algumas pontes foram reforçadas nas suas encostas, o que possibilitará uma maior segurança em casos extremos como o que ocorreu em 2011”, pontua.

Ele destaca as obras emergenciais de escoamento implantadas na Vila Contente, umas das regiões mais atingidas pela chuva de janeiro. “Essas medidas tratam-se de uma estrutura de retenção e escoamento gradual das águas pluviais, implantada pela Prefeitura de Lençóis Paulista. É um dispositivo semelhante ao dos “piscinões”, numa escala bem menor, que pode trazer resultados positivos em casos extremos de pluviosidade”, explica.

 

Ocupação irregular

Apesar de afirmar que a média relativa de chuvas na região de Lençóis Paulista está ‘estabilizada’ desde 2009, o analista de Meio Ambiente considera o índice de precipitação bastante elevado. Um dos fatores que explicam esses dados, segundo ele, é o equilíbrio do ecossistema regional através da forte presença de florestas, tanto nativas como comerciais, que faz com que a taxa de evapotranspiração (transferências de água para a atmosfera por meio da transpiração das plantas) aumente.

O fator negativo, de acordo com Aguiar, é que as áreas onde hoje o rio Lençóis transborda eram antes locais de escape de águas. “O que aconteceu foi que essas áreas foram sendo urbanizadas e, hoje, o rio volta às suas características originais de transbordo”, revela. Além da ocupação irregular da área urbana ao longo de várias décadas, em alguns trechos, segundo ele, a baixa profundidade da calha do rio contribui para os alagamentos em casos de chuva forte. 

“O rio Lençóis não suporta mais do que 100 milímetros por metro quadrado de escoamento para sua calha”, diz. “Análises realizadas durante a última cheia, em janeiro de 2011, mostraram que, com uma precipitação de 60 milímetros por metro quadrado, durante três horas com solo encharcado, o rio chegou bem próximo de sua capacidade máxima de reservação”.

 

Inundação histórica

A forte chuva que atingiu a região de Lençóis Paulista na madrugada do dia 17 de janeiro deste ano fez com que o rio Lençóis e o ribeirão da Prata transbordassem e invadissem casas, estabelecimentos comerciais e vias públicas. Até mesmo o serviço de captação de água teve que ser suspenso em razão da elevação do nível do rio. Em vários pontos da cidade, pontes, passarelas e estradas foram danificadas.

De acordo com a prefeitura, em alguns locais, a chuva de cerca de uma hora atingiu 180 milímetros. Ao todo, 344 pessoas ficaram desalojadas (tiveram que ir, temporariamente, para ginásios ou casas de parentes); 39 desabrigadas (tiveram suas casas destruídas), seis feridas e três doentes. Nenhuma morte foi registrada. Levantamento feito pela administração apontou que 160 casas e 21 imóveis comerciais foram afetados pela enchente.

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