Recentemente li neste jornal que entidades assistenciais estão com dificuldades porque se encontram com menos voluntários. Não deveria ser assim. Em sua mensagem de final de ano dirigida aos servidores públicos municipais, a prefeita de Lençóis Paulista, Bel Lorenzetti, convidou a todos: "Vamos seguir fazendo o bem." Neste período do ano, virtudes como solidariedade e bondade ganham espaço no cotidiano individualista das pessoas. Todos passam a pensar e a fazer um pouco mais aos outros: as empresas públicas ou privadas, as famílias, as pessoas. Forma-se uma corrente do bem, paralela ao desenfreado consumismo individualista. Mas é pouco.
O convite "vamos seguir fazendo o bem" pode e deve ser estendido a todos. Quando praticamos atividades que dão prazer, como comer um doce, admirar algo belo e até mesmo o uso de drogas, uma determinada região do cérebro é ativada. Uma pesquisa realizada na Universidade de Emory ? Atlanta (EUA), usando ressonância magnética, demonstrou que quando uma pessoa está fazendo o bem, sendo solidário ou cooperativo se ativa a mesma região do cérebro, a região cerebral do prazer. Ao que parece fomos constituídos para sermos colaborativos. É o que se conclui da pesquisa. É a primeira fotografia da bondade no cérebro. Fazer o bem proporciona prazer . Estes dias, conversando com uma médica que foi convidada pelo Rotary para uma campanha solidária na Tailândia, ela me contou de uma pesquisa (não citou a fonte) que demonstrou que as pessoas voluntárias em causas sociais vivem mais do que as não voluntárias. Segundo ela, fazer o bem fortaleze nosso sistema imunológico. Quem faz o bem vive mais.
Talvez esteja no modelo proposto atualmente de extrema competição entre as pessoas, visando os fins e muitas vezes esquecendo os meios, o responsável pelo "mal estar na sociedade" e o grande número de transtornos psicológicos. Fazer o bem poderia nos ajudar. Nosso organismo foi preparado para isso. Porém, a cultura de massa cada vez mais nos ensina que o outro é um concorrente e até um inimigo. Fazer o bem já não dá status na inversão atual de valores de nossa sociedade. Muitas pessoas mudam o estilo de vida depois de um ataque cardíaco. Adotam regimes alimentares e atividades físicas. Poderiam ter feito isso antes. Não esperemos um episódio depressivo para questionarmos nosso egoísmo. Sejamos solidários, colaboremos onde pudermos. Não apenas em dezembro, mas o ano todo. Vamos seguir fazendo o bem. Faça o bem aos outros e assim receba o bem que você sem dúvida merece. Um Natal e Ano Novo do bem a todos.
Marcos Norabele