Pesca & Lazer

História de pescador: Um achado curioso


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Não o seria, se o fato não tivesse acontecido nas matas desabitadas e pouco frequentadas do Mato Grosso, bem à montante do rio 7 de Setembro. É um afluente do Kuluene e da cabeceira do Alto Xingu. Foi no ano de 1982. Descemos o rio Kuluene e pegamos a embocadura do 7 de Setembro, subindo por ele em busca do rio Vanique, um de seus tributários, onde pretendíamos pescar.

Após muitas horas rio acima, chamou nossa atenção a desembocadura de um riacho, à nossa esquerda, não apresentando, como é comum, margens baixas, alagadiças e com plantas ribeirinhas, mas sim apenas uma queda d?água de um metro de altura, jorrando de cima de um barranco seco.

Paramos a embarcação e percorremos um bom trecho examinando aquele riacho que corria em terreno árido, lembrando algo de artificial, mas não o sendo, claro. Sentado no barranco de um poço, fiquei observando algumas plantas submersas ondulando ao sabor da correnteza. De vez em quando aparecia sob elas, no fundo turvo, uma raiz ou coisa parecida, que me chamou a atenção pelo seu formato retilíneo.

Não resistindo à curiosidade, apoiado a um tronco de arbusto, tentei segura-la, quando percebi que era uma taboa pesada e limbosa. Chamei os companheiros e retiramos o objeto da água. Era um pequeno bote de madeira aparelhada, de uns dois metros, mais ou menos.

Não apresentava apodrecimento, estava coberto de musgo, e não se percebia traços de pintura. Seriam, talvez, pescadores que o esconderam ali, há tempos, e por algum motivo não tiveram oportunidade de resgatá-lo? E quem iria adivinhar a sua história? Depois da surpresa, e de muitas trocas de palpites sem respostas, deixamos o bote no mesmo lugar onde o encontramos, e subimos para enfrentar a ligeira correnteza do piscoso rio Vanique.


Adalto Dias Giafferi Prado é pescador e contador de histórias

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