Um assunto muito revisitado, porém necessário. Com a chegada do verão, o calor intenso somado à imprudência de banhistas resultam no aumento do número de afogamentos na cidade. A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros alertam para os locais de riscos.
Com a falta de piscinas públicas para a população bauruense, crianças, adultos e, principalmente, os jovens que não fazem parte de clubes e associações acabam improvisando para espantar o calor. Diversos locais em Bauru, como o rio Tietê, a lagoa do Pesqueiro Sakai, a do Vale do Igapó e a da Quinta da Bela Olinda são apontados como locais de risco.
"A morte por afogamento é horrível, previsível e evitável. A água que entra nas narinas é como se estivesse nos queimando por dentro", enfatiza o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito. De acordo com ele, somente o Estado de São Paulo registra mais de 800 afogamentos por ano.
O comandante do Grupamento do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel José Guerxis de Aguiar, completa a estimativa informando que na região são registrados cerca de 10 a 15 afogados por ano. Esses casos compreendem desde afogamentos de crianças em baldes até adultos em lagoas. Apesar de serem diferentes, o coordenador afirma que todos as ocorrências têm uma característica em comum: a imprudência.
A lagoa do bairro Quinta da Bela Olinda e a represa do Pesqueiro Sakai registraram duas mortes por afogamento neste ano. "Os pais devem estar atentos. Se o filho sair, o responsável deve perguntar sobre seu paradeiro. Se desconfiar que o jovem esteja indo se aventurar em lagoas, deve proibir. Lagoas não são próprias para banho", aponta Brito.
Salvamento
Em uma situação crítica de afogamento, a Defesa Civil alerta que não é recomendada a tentativa de salvamento com o nado para resgatar a pessoa. Segundo Brito, nesse caso, uma criança de 13 anos, por exemplo, passa a ter uma força de dois a três homens, por conta da carga de adrenalina no sangue que é causada pelo desespero da morte.
O socorro deve ser prestado por alguém que possua conhecimento técnico do local e do próprio nado. "Para salvar uma pessoa de um afogamento em um rio é preciso saber nadar", reforça Brito. Entretanto, segundo ele saber nadar não é apenas flutuar batendo os braços, mas sim um conjunto de técnicas que envolvem muita agilidade e força que só os nadadores profissionais sabem.
Para a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, o improviso e a calma nas horas críticas são primordiais. "Cordas, boias e até mesmo garrafas pet podem ajudar no salvamento. As garrafas pet fechadas flutuam, assim como os pedaços de madeira, que podem ser utilizados em último caso. Enquanto isso, a pessoa ganha tempo para chamar o bombeiro", ressalta Brito.
Nessa época de festas, o abuso de bebidas somado à imprudência em beiras de rios também podem acabar em tragédia. Conforme explica o comandante do Corpo de Bombeiros, o certo é esperar a digestão por no mínimo duas horas após uma refeição. Em caso de ingestão de bebidas alcoólicas, o melhor a fazer é não entrar na água.
Quem faz uso de medicamentos também deve se atentar aos riscos produzidos pela força da água. Alguns remédios podem causar interferência nos reflexos da pessoa ou até mesmo baixar ou subir demais a pressão, o que dentro da água pode ser fatal. Em caso de emergência, o Corpo de Bombeiros deve ser chamado pelo telefone 193.
Lagoa da morte
Com uma extensão de cerca de 30 mil metros, a lagoa no bairro Quinta da Bela Olinda é considerado pelos bombeiros o local de maior risco de afogamentos em Bauru. A Defesa Civil estima que mais de 40 pessoas morreram no local ao longo dos anos.
Alguns pontos da lagoa chegam a 6 metros de profundidade. Fruto das obras de construção das casas do Núcleo Mary Dota há algumas décadas, a grande erosão acabou servindo de depósito para água das chuvas. Na década de 90, cogitou-se transformar a região em um parque.
Atualmente, a sinalização nos redores da lagoa é precária. Segundo informações da Defesa Civil, isso acontecesse pelo vandalismo praticado por algumas pessoas no local. "As pessoas dão tiros, quebram ou furtam as placas", afirma Brito.
Segundo ele, a lagoa da Quinta da Bela Olinda é uma área difícil de ser melhorada porque também depende de terceiros. O coordenador da Defesa Civil informa que o local chega a receber dezenas de pessoas aos finais de semana. "Já presenciamos pessoas bebendo, fazendo churrasco e até comendo feijoada na beira da lagoa. Isso é muito perigoso", adverte.