Um ponto de convergência é um eixo que une as coisas. É como em um aro de bicicleta, onde o eixo central faz todos os raios que dão sustentação ao aro do pneu convergirem para ele. Se esses raios se desprenderem, o aro desmonta e a bicicleta não consegue mais andar.
Na vida precisamos de um eixo central, para onde todas as coisas possam convergir. Precisamos de um centro! O problema é que o presente século é caracterizado pela falta de centro de referência. As antigas esperanças na centralidade da religião, da família ou do Estado vão se desmanchando, deixando um sentimento de vazio no coração, fazendo com que o homem perca seus pontos de convergência que dão sentido e equilíbrio no viver. Este é um mundo descentralizado e por isso desajustado. As relações, as emoções, a espiritualidade, a sociedade, os ideais, o meio ambiente, as economias e as estruturas sociais estão desajustadas, porque não existe um único centro para onde tudo possa convergir. Percebemos que o conceito de "universo" está sendo substituído pelo conceito de "multiverso", onde a diversidade e as múltiplas realidades se justapõem formando o mundo que temos hoje, um mundo diverso, porém tremendamente do perverso.
Essa tendência à descentralização levou a sociedade, em um primeiro momento, a tirar Deus do centro das coisas. O homem assumiu o trono se dizendo senhor do seu destino através do uso da razão. Em seu fracasso em conseguir manter as coisas em equilíbrio, o ser humano optou por deixar tudo fluir e fugir de controle. Ao tirar Deus do centro e assumir seu lugar, o homem transferiu para as culturas e os contextos sociais o centro de todas as coisas. O centro para a sociedade contemporânea não é Deus, a religião e nem o homem, como era no período do Iluminismo, agora cada contexto cria o seu próprio centro. Hoje o que manda é o contexto em que cada um vive. Cada sujeito constrói seu próprio centro de existência, assim definindo suas normas, crenças e valores. Coisa de louco...
Conforme afirmou o historiador inglês Arnold Toynbee, o mundo contemporâneo caracteriza-se pelo fim do domínio ocidental e pelo declínio do individualismo, do capitalismo e do cristianismo. Infelizmente, a fé cristã não é mais o referencial único para a sociedade ocidental, a ponto de muitos teóricos dizerem que estamos vivendo em uma cultura pós-cristã. O ocidente se embruteceu quando decidiu aceitar a tese da morte de Deus, confiando na ciência como senhor do nosso destino. No desejo de desqualificar a religião cristã, muitos acabaram jogando fora a crença na existência de um Deus soberano, deixando a sociedade entregue à própria sorte.
Neste mundo descentralizado vale voltar os olhos para a manjedoura, não como uma comunicação visual para vender produtos natalinos, mas como sinal de que, com o nascimento de Jesus, o eixo foi estabelecido para sempre. O apóstolo Paulo dá o seguinte testemunho sobre Jesus: "...; porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele"(Colossenses 1:16). Deus enviou Jesus para ser o ponto de convergência, para todos aqueles que querem encontrar sentido para a vida e um mundo melhor para se viver.
O autor, Samuel Biassi do Nascimento, é teólogo, graduando em psicologia pela Universidade Sagrado Coração - USC e pastor titular da Primeira Igreja Batista de Bauru