Certa vez o Brasil ia jogar contra o Uruguai. Como todos os brasileiros, iríamos torcer veementemente contra este nosso vizinho do sul, que nos tinha vencido em 1950. Ocorre que na escalação uruguaia havia um Bertoti. A respeito disso, meu irmão foi falar com meu avô, nascido em Novara, norte da Itália, avô Giusepe.
- Normalmente torço pelo nosso time, mas como tem um Bertoti do lado deles, acho que vou torcer pelo empate. Estou com dó deste nosso parente!
O Giuseppe, dono de um pavio meio curto, respondeu:
- Tomara que quebrem a perna desse moleque deserdado que não deve ser outra coisa que um maconheiro de rua. Tomara que morra com a boca cheia de capim, mascalzone disgraciatto!
Eu, que sempre ouvi dizer que os italianos do norte são mais calmos, pensei comigo: se meu avô Giuseppe fosse do sul acho que ia pedir a garrucha de meu pai emprestada...
Rui Bertoti