A literatura infanto-juvenil é um segmento em plena expansão ? entre 2008 e 2009 foram mais de 26 milhões de livros infantis lançados no Brasil. Os dados são da Associação Nacional de Livrarias (ANL), que ainda apontam que a área que mais cresceu em 2010 foi a infanto-juvenil.
"As pessoas estão se habituando a incluir na educação dos seus filhos o hábito de ler. A leitura é fundamental para uma formação mais completa, que irá se refletir na fase adulta", ressalta o escritor José Geraldo Jacob Neto.
E não é só a produção que aumentou, as vendas também estão de vento em polpa e, segundo as livrarias, os livros infantis foram os mais vendidos no ano passado. A literatura infantil é primordial para o desenvolvimento das crianças e o primeiro passo tem que ser dado pelos pais.
"Antes mesmo de elas começarem a ler, o contato com os livros já deve ser constante. Os pais têm que contar histórias, separar um período para a leitura e tornar estes momentos prazerosos", afirma.
A criança deve aprender a brincar com as letras e com as palavras e assim que for alfabetizada terá livre acesso aos inúmeros mundos que a leitura pode levar. Segundo Geraldo Neto, os livros são como uma viagem, na qual a imaginação pode extrapolar.
"É uma rica fonte de criação, descobertas e aprendizados. Somente por meio da leitura e da educação é que conseguiremos criar uma sociedade mais justa, tolerável e gentil", acredita.
Por mais que a imaginação de uma criança seja fértil, ela precisa de materiais exteriores para exercitar a realidade por meio da fantasia. Os contos, histórias, estórias, fábulas e poemas são formas escritas que contribuem para este exercício.
Geraldo Neto, que lançará este mês o livro "As estórias de Zé doidinho", considera que um bom livro infantil deve ter mais do que cores, imagens e personagens bonitos. "Conteúdo atualizado e assuntos que permeiam a sociedade são essenciais, sempre de uma maneira lúdica", considera.
Tocar em livros estimula leitura
Pode parecer estranho, mas a leitura deve ser estimulada entre os bebês, logo nos primeiros meses de vida. Apesar de ainda não ter qualquer conhecimento, o gosto pelo mundo dos livros pode começar por meio de simples toque.
Em entrevista ao site Bebe.com.br, a psicóloga Beatriz Ferraz afirma que, após virar e revirar o livro centenas de vezes, a criança estabelece uma relação afetiva com o objeto e, assim, descobre o prazer pelo universo literário. "Ler um livro ou ouvir uma fábula não tem relação somente com saber ler e escrever. Os livros introduzem as crianças em um mundo imaginário, em uma cultura. E as narrativas abrem portas para o conhecimento de diferentes mundos, tempos e espaços", afirma Beatriz.
Para desenvolver esta primeira relação, é preciso dar ao bebê livros criados especialmente para esta fase, com palavras simples, acessórios em alto relevo, que contribuam para o toque, e atividades lúdicas. Independentemente do formato ou da história, o livro deve estar presente em todas as etapas da vida de uma criança.
Não há idade para ouvir ou ler histórias. "Tudo depende da forma como ele é introduzido, para ser explorado pelo bebê ou ainda da maneira como a história é lida para uma criança pequena", diz a psicóloga.