O vereador Paulo Eduardo de Souza (PSB) foi o recordista na apresentação de projetos de lei em 2011. Enquanto muitos não propuseram um sequer, o socialista teve 27. No entanto, apenas oito foram aprovados e 14 deles foram retirados, a maioria por vício de iniciativa, o que motivou o vereador a criticar os critérios da Comissão de Justiça para análise das propostas. O projeto de maior relevância foi o que obriga a Funprev a apresentar mensalmente à Câmara os extratos bancários de suas aplicações financeiras. Isso aconteceu antes das denúncias contra a entidade, que culminaram na CEI. O prefeito tentou derrubar a lei, mas os vereadores não sustentaram o veto de Rodrigo Agostinho.
Além disso, políticas para o autismo estiveram na pauta do parlamentar, bem como propostas para reforçar a cobrança de grandes devedores, programas contra a obesidade e tentou emplacar um projeto que exigia a disponibilização de documentos públicos solicitados por entidades.
O que mais marcou a atuação do vereador, no entanto, foi a repetição, em todos os seus discursos em tribuna, sobre a necessidade da criação de um Instituto Municipal de Planejamento, para nortear as ações da administração pública de Bauru.
Amarildo de Oliveira (PPS), assumidamente, não se dá bem com Paulo, mas sempre afirma que o governo municipal não tem planejamento e age no improviso. Os dois têm outros pontos em comum: disputaram a autoria de projetos referentes ao autismo e lideram rankings numéricos no Legislativo.
Apesar de ser um dos mais faltosos à sessão e pouco ter utilizado a tribuna em 2011, Oliveira foi o vereador que mais solicitou informações ao Poder Executivo através do artigo 18 da Lei Orgânica Municipal, que dá prazo de 15 dias para resposta. Todos os parlamentares, juntos, somaram 289 pedidos deste tipo. Amarildo foi responsável por 131 deles. Resta saber quantos deles surtiram soluções para problemas apontados pelo vereador.
Oliveira não poupou os discursos rígidos contra o prefeito e ameaçou pedir a cassação de Rodrigo por conta da proposta de convênio entre o município e o governo do Estado para a contratação de policiais militares em horários de folga. O vereador também levantou a bandeira da saúde, articulando a criação de leitos para tratamento e recuperação de dependentes químicos e cobrando da administração uma política de prevenção ao câncer, em parceria com o Hospital Amaral Carvalho.
Bombeiro de Rodrigo
Em um governo desarticulado politicamente, cabe ao líder da base na Câmara o papel de apagar os incêndios corriqueiros. Essa foi a função de Renato Purini (PMDB) ao longo de 2011, tentando acalmar os ânimos de seus opositores e consertar os deslizes de próprios colegas governistas.
Logo no início do ano, Purini foi derrotado em uma conturbada eleição para a presidência da Câmara e teve que liderar o combate à possibilidade de ?super voto? de Roberval Sakai (PP) em casos de empates.
Um dos momentos de revolta do líder do governo se deu nas críticas contra a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Purini não se conformou com a influência de Rubito Ribeiro, mesmo após Nico Mondelli ter assumido o comando da empresa pública. O vereador chegou a chamar o atual presidente de ?rainha da Inglaterra? e exigiu mudanças em cargos de diretoria.
O parlamentar foi bastante criticado por setores da sociedade do dizer que ?Bauru tem muito cerrado?, ao afirmar que o município estava sendo prejudicado pela lei ambiental, restringindo a instalação de indústrias.
A defesa do governo não ficou
apenas na conta de Renato. Se ele foi o bombeiro, Carlão do Gás (PR) foi o guarda-costas do governo municipal, em alguns casos, defendendo o indefensável. O parlamentar virou alvo de chacotas dos oposicionistas que o acusavam de enxergar Bauru com ?óculos azuis?.
Os discursos do suplente de José Carlos de Souza Batata (PT) foram tão fervorosos que chegaram a atrapalhar costuras de acordos entre oposição e situação. Carlão foi o responsável por incendiar uma sessão legislativa no fim do ano ao dizer que o DAE seria presidido pelo tucano Veríssimo Barbeiro. Nem Purini sabia do convite ao ex-vereador.
Carlão do Gás foi um dos coautores do IPTU Progressivo e articulou, junto à Polícia Militar, um levantamento de imóveis abandonados para ajudar a fiscalização da prefeitura.
Presidência conturbada
O primeiro semestre de 2011 não foi dos mais tranquilos para o presidente Roberval Sakai (PP), eleito em uma votação conturbada, com o apoio da oposição. No entanto, o vereador não conseguiu sair da base do prefeito por conta de alguns ?compromissos políticos? e se viu isolado, pelo sentimento de traição dos opositores e de remorso da base.
O auge da crise se deu na saída de José Roberto Segalla (DEM) da Mesa Diretora. Nenhum vereador quis ocupar a segunda secretaria e a Câmara Municipal parou por uma semana. O impasse só foi resolvido após articulação de Marcelo Borges. A oposição indicou Chiara, mas exigiu o apoio incondicional do parlamentar.
Outra polêmica envolvendo Sakai foi a desistência de mudança de sede do Legislativo para o prédio da antiga Estação Ferroviária. No entanto, o vereador denunciou que apenas três ambulâncias da prefeitura tinham condições para circular em Bauru e a dificuldade de vagas para internação na rede hospitalar. Sakai também defendeu o aumento de 50% no valor pago por plantões extras aos enfermeiros da rede municipal.
No âmbito administrativo e institucional, o presidente investiu na informatização da Câmara e nas tratativas para abertura de sinal da TV legislativa.
Ideias absurdas
Algumas propostas de vereadores geraram surpresa em 2011. Natalino da Pousada (PV), por exemplo, quis que 50% da arrecadação de multas de trânsito do município fossem destinadas ao Hospital de Base. O parlamentar também tentou barrar as restrições para criação de datas comemorativas em Bauru.
No entanto, Natalino denunciou a ocupação de pombos na Unidade Básica de Saúde da Vila São Paulo mesmo após o fechamento do local pelo mesmo problema em 2010 e os incômodos causados pelas goteiras em uma escola improvisada no Santa Edwirges.
O vereador também se empenhou, junto à comunidade, na reivindicação da duplicação da Bauru-Iacanga, conhecida como ?rodovia da morte?, por conta do alto índice de acidentes.
Carlinhos do PS (PP) pediu que o trecho urbano da rodovia Marechal Rondon passasse para jurisdição do município de Bauru e ainda foi protagonista de um dos casos mais lamentáveis do ano, quando o marido de uma de suas indicadas para um cargo na prefeitura tentou agredi-lo quando a mesma perdeu a vaga em razão da migração do PP para a oposição na eleição da Mesa Diretora.
O fato de o vereador não querer perder as mordomias por apoiar o governo também foi motivo de desentendimento junto a Roberval Sakai (PP). Carlinhos nunca quis sair da base e continuou votando junto à administração. Pouco ativo nas sessões, uma de suas bandeiras foi a reforma dos centros comunitários.
Gilberto dos Santos (PSDB), por sua vez, precisou exonerar a namorada de sua assessoria parlamentar. No entanto, o tucano fez cobranças importantes como a implantação de serviços de raio-X nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA), o cumprimento da lei dos hidrantes e pediu investimentos estaduais para a pavimentação das vias que cortam a avenida Nações Norte.
Inchaço
Após muita pressão da sociedade, a Câmara Municipal decidiu aumentar apenas uma cadeira para a legislatura de 2013. No entanto, alguns vereadores defenderam o inchaço no Legislativo. Luiz Carlos Barbosa (PTB), por exemplo, queria que o número de vagas subisse de 16 para 23.
Além disso, o vereador pouco participou das sessões legislativas e precisou ser ?caçado? pelos colegas nos momentos de votação. Uma de suas propostas aprovadas foi a criação da Política Municipal de Prevenção a Acidentes com Vítimas.