Nem mesmo o forte calor de ontem desanimou o tão esperado e querido Papai Noel que, com sua tradicional vestimenta e barba comprida, e sentado num imponente trenó - improvisado na caçamba de um carro - distribuiu balas e brinquedos para 3 mil meninos e meninas carentes de 12 bairros do município. A ação faz parte da campanha Natal Solidário e é promovida há quatro anos pela Associação Bauru pela Diversidade (ABD), com apoio da ONG "Periferia Legal".
A carreata do "Papai Noel da ABD" saiu às 10 horas do Núcleo Fortunato Rocha Lima, passando por mais 11 bairros - Parque Santa Cândida, Vila Santista, Jardim Ouro Verde, Jardim Prudência, Parque das Nações, comunidade do Jardim Europa, Jardim Nicéia, Bauru I, Quinta da Bela Olinda, Pousada da Esperança 2 e distrito de Tibiriçá. Durante o trajeto, um buzinaço avisava as crianças sobre a chegada do bom velhinho.
Para receber o brinquedo - uma boneca para as meninas e um kit completo de pipa para os meninos -, as crianças tinham que apresentar seu vale-presente. Rick Ferreira, coordenador da ABD, conta que, há algumas semanas, a entidade distribuiu aos líderes comunitários de cada bairro fichas cadastrais para que eles selecionassem as famílias mais carentes, que tinham filhos com até dez anos. O cadastro com nomes dos responsáveis pelas crianças e endereço foi trocado pelos vale-presentes.
"Essa ficha entregue com antecedência nos ajudou porque fica mais organizado. Nós não chegamos desprevenidos nos bairros correndo o risco de as crianças ficarem sem brinquedos", diz. "Com esse documento, a gente vai alimentar o banco de dados da associação para que, nos próximos eventos e projetos sociais, a gente já tenha a ficha na mão, saiba quem é o morador daquele bairro, aquela criança e faça um acompanhamento".
Markinhos Souza, presidente da ABD, ressalta que, além de fazer com que o Natal dessas crianças seja um pouco mais feliz, por meio da entrega de um brinquedo, a entidade busca resgatar a magia e o encanto da data. "É importante falar que o que a gente veio trazer para os bairros não é simplesmente um brinquedo, e sim a possibilidade da criança sonhar, acreditar e ver o seu sonho se tornar realidade."
Ele destaca que esse ato de "solidariedade" de alguns voluntários não deve ser confundido com "caridade". "O maior recado é esse, é isso que nós queremos passar", pontua. "Infelizmente, a cada ano que passa, o Natal vem perdendo um pouco do seu sentido, fica apenas mais um feriado para você fazer churrasco com a sua família. E não é só isso. Nós temos que pensar no nascimento do menino Jesus, as crianças têm que saber o que significa essa data porque muitos não sabem".
Uma das primeiras a receber seu presente de Natal no Parque Santa Cândida foi a pequena Jenifer dos Santos Souza, de um mês de vida. Acompanhada da mãe Elisângela Francisca dos Santos e do irmão Renan Felipe dos Santos Souza, de 5 anos, ela recebeu das mãos dos organizadores da campanha Natal Solidário um urso de pelúcia.
Depois de ganhar sua pipa, Denis Casanova de Lima, de 4 anos, pediu ajuda à tia Daniela Cristina Casanova para aprender a usar o brinquedo. Sentado na calçada, quando perguntado sobre quando iria ?soltar? a pipa, ele logo respondeu: "Agora".
Aproveitando a entrega de uma pipa com linha e rabiola para os meninos, a ABD também lançou a campanha "Cerol Não" com o objetivo de alertar as crianças sobre o risco que o uso desse produto - feito através da mistura de cola e vidro moído - pode trazer. Jean Rodrigo de Brito da Costa, 7 anos, confessou à reportagem que ainda não sabia empinar o brinquedo, mas que iria aprender rápido. "Meu pai vai me ensinar", disse. Consciente, ele revelou saber dos riscos do uso de cerol na linha.
Quem também já estava com a lição na ponta da língua eram os irmãos Ederson Luan Costa de Souza, de 10 anos, e Odirlei Maurício Costa, de 12 anos. Eles contaram que, para não ter as linhas cortadas, passam tinta de cor branca para endurecê-las. "Meu pai joga fora (a pipa) quando tem cortante", entrega o mais velho.
Quem não estava muito feliz era a irmã deles, Kevelin Giovana Costa Martimiano, de 6 anos, que ganhou uma boneca. Com o semblante fechado, ela afirmou que queria ter ganho uma pipa, assim como os irmãos. Convencida pela irmã Tainá Vitória Costa Martimiano, de 7 anos, de que poderia brincar com os dois, ela acabou abrindo um sorriso e se rendendo aos encantos da boneca.