Em recente artigo da sra. Marta Vieira Caputo ("Os defensores do mato e os padrastos da natureza" 08/10/2011), foi questionada a posição do sr. Ricardo Coube em relação à proteção do Cerrado. Este último alegaria se embasar em um desconhecido "estudo da USP", para justificar o desmatamento de áreas de cerrado/cerradão em torno de Bauru.
Diferentemente da ótima abordagem feita pela Marta em seu artigo acima mencionado, pretendo expressar minha opinião (que já adianto ser totalmente contra o desmatamento da área) embasando-me no próprio Capitalismo e não indo contra o que eu acredito ser uma tendência mundial e inescapável. De maneira distinta a de Marta, pretendo manter meus pés no chão e utilizar de artigos científicos (dessa vez expondo as fontes e não as deixando na obscuridade como Coube) para tentar mostrar quão ultrapassada é a visão clássica de que "quanto menos mato melhor para o desenvolvimento da cidade". No último artigo de Coube, escrito de maneira informal e sem muitos erros gramaticais, intitulado "Poluição da miséria vs. desenvolvimento (07/10/2011)", o autor deixa claro quais são suas opiniões a respeito do "monte de ONGs internacionais e políticos despreparados". Exponho a seguir dois artigos científicos que, espero, possam fazer o leitor refletir sobre a veracidade da afirmação acima.
Em recente artigo da revista Frontiers in Ecology and the Environment (v.4 n.5, 2006), foi avaliado o valor de se manter colônias de morcegos insetívoros para o controle de peste em plantações de algodão no Texas. O resultado: uma economia de, em média, US$ 741.000 ao ano (variando entre US$121.000 a US$1.725.000) em inseticidas e outros produtos de combate às pragas. De maneira talvez menos perceptível, o valor econômico dos insetos polinizadores nos Estados Unidos é estimado em "meros" 57 Bilhões de dólares! (BioScience v. 56 n.4 2006). Infelizmente desconheço estudos do tipo realizados no Brasil mas, se nos EUA onde grande parte da vegetação nativa foi destruída, a fauna e flora local têm papel importante na economia agrícola, sem dúvida também estamos economizando muito ao manter nossas formações vegetais nativas.
Não é preciso ser um Doutor em Ciências para saber que uma plantação do Eucalipto Australiano, matéria prima de celulose, se beneficiaria em estar rodeada por uma mata nativa: um microclima com mais umidade e temperatura mais amena, mais estabilidade no solo, presença de polinizadores, etc. Depois do exposto, tenho duas questões finais: será que o pouco que restou de mata nativa em Bauru é o que realmente está atravancando o desenvolvimento econômico da cidade ? Não temos grandes áreas abertas e improdutivas nos bairros industriais e no centro da cidade?
O autor, Guilherme S.T. Garbino, é biólogo formado pela USP. Atualmente é aluno de mestrado do Museu de Zoologia da USP