Regional

Sorteio para ajudar creche é adiado

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 5 min

Pirajuí – O tradicional sorteio de prêmios realizado em dezembro pela Creche Menino Jesus de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) com o objetivo de angariar recursos para a manutenção de suas atividades teve que ser adiado para fevereiro de 2012. O motivo: a venda dos números da Loteria Federal não atingiu o esperado, gerando prejuízos. Até o dia 18, data do sorteio, a entidade espera vender os 125 números restantes para que possa continuar atendendo em período integral às 40 crianças de 0 a 3 anos que hoje frequentam o local.

O presidente da creche, Roberto Viscainho Carretero, revela que a campanha, tradicional no município, ajuda a entidade a suprir parte dos seus gastos, que chegam a R$ 9 mil por mês (incluindo os salários de cinco funcionários). Os números, no total de 500, começaram a ser vendidos em maio, com previsão de sorteio no último dia 24. Segundo ele, os prêmios, do 1º ao 5º lugar, atingem o montante de R$ 20 mil em dinheiro. Contudo, apenas 375 foram vendidos.

“A gente teve aqui na cidade muitos eventos em prol, principalmente, de um garotinho chamado Mateus, o SOS Mateus. E era um valor significativo que precisava ser arrecadado para cirurgia do garoto. A cidade, como um todo, se empenhou para ajudar esse menino”, conta. “Infelizmente, nossas entidades vivem de pedidos, de doações, desses tipos de eventos. E, aqui, nós temos dez entidades que fazem variadas formas de campanha. Então, saturou um pouco a cidade”.

De acordo com Carretero, a creche, que existe há 41 anos, sobrevive de campanhas próprias e doações e não conta com verbas municipais, estaduais ou federais. “Teve uma doadora benemérita esse ano, que nós não sabemos quem é, que fez uma doação de R$ 30 mil no meio do ano. Foi o que nos fez atravessar o ano no azul”, declara. “A entidade é totalmente filantrópica e atende crianças de mães que trabalham, exclusivamente. São todas carentes, comprovadamente”.

O presidente explica que, entre os eventos que ajudam a entidade a se manter, além do sorteio de prêmios e das doações de padrinhos, estão doações mensais de populares nas contas de água, no valor de R$ 1,00 ou R$ 2,00, que geram receita fixa de R$ 1,2 mil por mês; vendas de pasteis em barracas na Festa das Nações; e lucro obtido com parte da portaria e venda de alimentos no Carnaval Popular promovido anualmente pela prefeitura, que esse ano chegou a R$ 18 mil.

Quem quiser adquirir um bilhete da Loteria Federal para ajudar a Creche Menino Jesus deve procurar a entidade, na rua Aviador João Durval de Lion, 379, centro de Pirajuí, ou entrar em contato com o presidente Roberto Viscainho Carretero pelos telefones (14) 3572-2200 ou (14) 9621-1026. O valor de cada número é R$ 100,00 e dá o direito a concorrer aos prêmios de R$ 15 mil (1º lugar); R$ 2 mil (2º lugar) e R$ 1 mil (3º ao 5º lugar).


 

Creche questiona o não repasse de verba pela prefeitura

O presidente da Creche Menino Jesus de Pirajuí, Roberto Viscainho Carretero, declarou à reportagem que a entidade é a única do município que não recebe recursos da prefeitura. “Aqui tem uma intransigência por parte do governo atual. Ele entende que a gente, por ter sido inserido no segmento da Educação, deixou de ser social. É um pensamento totalmente absurdo”, afirma.

Esse entendimento da Administração, segundo ele, toma como base uma Lei Federal que inseriu as creches no contexto da Educação. Com isso, elas passaram a ser administradas pelo município, que recebe recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) para mantê-las. A verba toma como base o número de crianças atendidas. E esse é um dos principais pontos questionados pelo presidente.

“Todo ano é feito o censo escolar. E na hora do censo, ele (prefeito) apanha nosso censo, quer dizer, as crianças que nós atendemos, e insere no contexto municipal. Só que não é ele que presta o serviço, ele só insere na quantidade. O que acontece? O Fundeb repassa per capita e ele ainda recebe em cima das nossas crianças. Só que não nos repassa”, reclama. “No mínimo, ele deveria nos repassar e não ficar com a integralidade do Fundeb sem nos repassar um centavo”.

Carretero não descarta adotar medidas jurídicas contra o Executivo no ano que vem pelo que ele entende ser um ato de improbidade administrativa do governo. Ele conta que, em contato com o Ministério da Educação, foi informado de que a creche pode receber recursos do Fundeb, desde que assine convênio com o município. “O que não é justo é eu continuar dando um atendimento no sacrifício sem receber”, desabafa.

O prefeito Jardel de Araújo (DEM) confirma que a Creche Menino Jesus não é conveniada. “A gente repassava recursos para o social e o governo tirou as creches do social”, diz. Segundo ele, porém, as crianças da entidade são contabilizadas para efeito de recebimento da verba do Fundeb porque também frequentam a rede municipal de ensino. “Eles mandam aluno para nossa rede, para as nossas EMEIs”, afirma. “Tem alunos deles de manhã que estudam na nossa EMEI à tarde”.

O chefe do Executivo alega que fornece alimentos da horta municipal para a creche. “A parte de alimentação da creche é a prefeitura que dá para eles”, declara. Ele também argumenta que existem vagas para todas as crianças do município nas creches da prefeitura. “O que nós queremos realmente é que todas as crianças passem para a rede municipal”, anuncia. “A opção aqui foi realmente não estar fazendo o convênio porque a gente absorve as crianças na rede”.

Apesar de negar a existência de crianças de 0 a 3 anos fora das creches, ele admite que tentou “encampar” há alguns anos a Creche Menino Jesus. “Quando saiu a antiga diretoria, a prefeitura quis comprar essa creche justamente porque ela tinha condições melhores de estar mantendo essa creche. No nosso município, não tem necessidade de ter creche particular. O município tem condições de absorver isso”, salienta.

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