A destinação de resíduos sólidos é um dos principais gargalos urbanos que precisam ser resolvidos pelo poder público. Os municípios, por exemplo, têm até agosto do ano que vem para apresentar plano de gerenciamento com metas por conta do Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Em Bauru, no entanto, a vida útil do aterro sanitário está determinada por meses e, além disso, apenas metade dos materiais de coleta seletiva são, de fato, reciclados. A aposta da Prefeitura de Bauru para atuar em uma das frentes deste complexo problema são os ecopontos. No entanto, apenas dois já estão funcionando e ainda precisam de divulgação, de apelo para serem aproveitados em massa.
Os primeiros ecopontos foram instalados em julho e agosto deste ano, na região Central, sob o viaduto Antônio Eufrásio de Toledo, e na região do Mary Dota, na quadra 4 da rua Américo Finazzi. Eles têm como objetivo gerar locais adequados para o depósito de entulho, restos de podas, pneus, móveis, eletroeletrônicos, lâmpadas e recicláveis além de tornar a cidade mais limpa e longe de doenças como a dengue, por, teoricamente, evitarem que estes materiais sejam depositados em terrenos.
Pouco uso
No entanto, o secretário municipal do Meio Ambiente, Valcirlei Silva, admite que ainda é pequeno o volume de materiais entregues nos ecopontos, mas pondera que os moradores dos locais atendidos estão começando a aprender a utilizar essas ferramentas. “O boca a boca tem funcionado bem, mas precisamos pensar em formas de divulgar melhor os ecopontos entre a comunidade. Os carroceiros também já assimilaram muito bem”, reconhece.
Diretora do departamento de Recursos e Ações Ambientais, Gilda Maria Scalfi Carvalho, afirma que o ecoponto do Mary Dota está tendo mais dificuldades para vingar. Enquanto ele recebe, em média, cinco toneladas, o dobro é depositado no ecoponto localizado na quadra 1 da rua Sorocabana, na região mais central.
Gilda não consegue, porém, avaliar as razões para a discrepância e alega que é muito recente a criação dos ecopontos. “Talvez o primeiro seja o mais conhecido. No entanto, precisamos avaliar como agir para tentar criar essa cultura em determinados locais”, pontuou.
A diretora do departamento afirma que os materiais recicláveis são responsáveis pela maior parte do volume depositado nos ecopontos. No final do ano, porém, aumentam os resíduos de construção civil. Os materiais costumam ser destinados corretamente nos locais, que contam com a orientação de funcionários da Semma nos horários de atendimento.
Gilda lembra, porém, que os ecopontos são criados para atender apenas os pequenos geradores. “O serviço é gratuito, mas não pode haver muito volume. Um computador inutilizado pode ser deixado lá, mas cem deles, não. Não adianta, por exemplo, tentarem deixar nos ecopontos o entulho de uma grande obra”, ressaltou.
Semma quer mais 14 ecopontos
O secretário Valcirlei Silva acredita que a pulverização dos ecopontos pelo município vai ajudar na adesão de munícipes à destinação correta de pequenas quantidades de resíduos, apesar de os dois estarem subutilizados. A meta é terminar 2013 com 16 deles.
Mais três ecopontos serão inaugurados até abril de 2012, no Jardim Redentor, Pousada da Esperança e Bauru XVI. Ainda no ano que vem, a Semma quer levar a estrutura para o Núcleo Presidente Geisel, Nova Esperança, Parque São Geraldo, Vila Independência e Jardim América.
Já em 2013, o plano é de que o Parque Viaduto, Núcleo Gasparini, Beija-Flor, Parque Roosevelt, Jardim Ouro Verde e Distrito de Tibiriçá recebam os ecopontos da Semma.
Serviço
Os dois ecopontos em atividade ficam na quadra 1 da rua Sorocabana (Centro) e na quadra 4 da rua Américo Finazzi (Nobugi Nagasawa, na região do Mary Dota). O horário de funcionamento é das 7h às 12h e das 13h às 18h.
Coleta de lixo aumenta em 2,4%
Do dia 2 de janeiro até 24 de dezembro deste ano, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) coletou 80.084,86 toneladas de lixo doméstico em Bauru. O número é 2,4% do que o montante recolhido no mesmo período de 2010 (78.229,92 toneladas).
O crescimento é considerado dentro do esperado, de acordo com a gerente de Limpeza Pública, Solange Gabriel. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o bauruense produz, por dia, 2,216 quilos de lixo. O aumento, portanto, representa um aumento de 2.344 pessoas a mais produzindo lixo no município. “A regularização de imóveis e o crescimento de condomínios contribuem para isso”, avalia.
Vale lembrar que cerca de 30% do lixo é de materiais que poderiam ser reciclados. No entanto, apenas 3,41% do total é recolhido pela coleta seletiva. A situação se torna ainda mais agravante pelo fato de que, por falta de mão de obra na única cooperativa responsável pela triagem desses materiais, apenas 50% do total é, de fato, reciclado.
A coleta de lixo da Emdurb conta com 16 caminhões durante o dia e seis durante a noite. De acordo com Solange Gabriel, esse número é satisfatório. Em julho de 2011, a Emdurb comprou três caminhões e cinco coletores compactadores de resíduos sólidos para renovação de frota. O custo total foi de R$ 699.235,00, sendo R$ 141.500,00 para cada caminhão e R$ 54.947,00 para cada compactador.
Além do lixo doméstico, o aterro sanitário de Bauru recebe também o material produzido por grandes empresas, que contratam serviços de coleta particulares. Neste caso, o crescimento no volume de materiais depositados foi de 4,4%. Já contando o lixo doméstico, o total admitido no aterro subiu de 88.266,86 toneladas para 94.247,62 toneladas.
De acordo com a gerente de Limpeza Pública da Emdurb, Solange Gabriel, a inauguração de grandes atacadistas em Bauru pode explicar o considerável aumento.
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