A gestante Laura Gladi Atílio Cortez, 19 anos, se contorceu em dores durante 20 horas quando então conseguiu ser internada após contar com a interferência da Polícia Militar. A PM permaneceu na Maternidade Santa Isabel até que um médico atendesse a paciente e definisse pela internação. A informação que o JC obteve é que o atendimento na Maternidade foi se complicando durante o dia com a intervenção da PM em outras situações.
O JC teve acesso aos corredores da Maternidade com o casal Laura e seu esposo Leandro Cortez da Silva, 32 anos, e a mãe da gestante, Telma Cássia Gladi. O drama da gestante de oito meses começou às 21h30 de terça-feira quando não conseguiu internação na Maternidade. A greve na Maternidade começou na manhã de terça.
Leandro conta que a esposa chegou com que seria uma perda de líquido amniótico e com fortíssimas contrações. Ele conta que o médico de plantão disse que a gestante estava com incontinência urinária. "Foi um atendimento de no máximo 2 minutos. Foi um atendimento ríspido. Sem tocar nela, ele disse que não era bolsa estourada. Fez exame de toque. E disse que aquilo (líquido) era urina. Colocou o aparelho como se já soubessem onde era o coração (do bebê) e foi rápido. Já liberou e mandou voltar para casa", relata.
Sofrimento
No entanto, em casa Laura continuou a perder líquido durante toda a madrugada e a sentir dores de contração. Na manhã de ontem, a família percebeu que a barriga da grávida havia diminuído bastante de volume. Imediatamente, o casal e a mãe da gestante retornaram à Maternidade. Novamente o casal recebeu a negativa de internação.
De acordo com Leandro, a informação passada, agora, por outro médico de plantão desesperou os familiares: "Foi um pouco pior do que ontem (anteontem). Ele falou que não tinha certeza se seria bolsa estourada. E disse que para ter certeza teria que ir para um hospital em Botucatu ou em Jaú para dar à luz em outro lugar. O máximo que ele poderia fazer era um encaminhamento para fazer um ultrassom particular, porque aqui também não iria fazer", contou.
A situação da gestante ganhou contornos de drama porque se tratava de um atendimento de urgência garantido mesmo na situação de greve: "Ele também falou que internação aqui não iria fazer e com essas palavras disse: ?porque agora é cada um por si?".
Polícia
Leandro então decidiu chamar a polícia. Com a chegada dos policiais militares da Base de Segurança Comunitária Sul houve uma mudança no modo de atender Laura. Alguns minutos se passaram e surgiu uma enfermeira que levou a gestante em uma cadeira de rodas até a sala em que seria atendida pelo mesmo médico, momentos após.
A jovem foi novamente avaliada e então o médico expediu a guia de internação. O ultrassom ficou agendado para a manhã de hoje.
Como está o bebê
A apreensão de Leandro Cortez da Silva, que já é pai de um menino, era muito grande porque somente um exame de ultrassom poderia confirmar qual era o problema com a gestante e o bebê. "A criança não se mexe desde às 4h", comentou aflito o pai ao JC.
A cada onda de dor, devido as contrações, Laura apertava com toda a força uma toalha de banho completamente encharcada usada para absorver o líquido. Leandro fica indignado ao saber que o médico que novamente examinou sua esposa não definiu qual era o problema. "Parece que ela está com uma infecção. Se for uma infecção mesmo, vai ter que fazer um parto de prematuro. Mas ninguém tem certeza. O próprio médico obstetra não tem certeza do que é", indigna-se Leandro.
Primeira viagem
A jovem Laura Gladi Atílio Cortez está a espera de seu primeiro filho. Sendo amparada pela mãe, Telma, a jovem disse que já havia sido feita a raspagem caso necessitasse fazer um parto cesária. A gestante conta que será mãe de um menino. Foram 20 horas até que a futura mamãe esboçasse um sorriso: "Ai, agora, diminuiu a dor".
Greve gera polêmica entre direção de maternidade e comando de grevistas
A falta de funcionários é o único ponto de concordância entre a direção da Maternidade Santa Isabel e o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Bauru (Seessb) concordam. A Maternidade tem aproximadamente 220 funcionários, dos quais cerca de 25 são enfermeiras que não estão em greve, assim como os médicos.
Os funcionários em greve desde anteontem, reivindicam o pagamento do 13º salário. A representante do Seessb Marilza Sales Braga comenta que a Maternidade não possui muitos funcionários e que o pouco que existe está trabalhando.
O coordenador do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia da Maternidade, o médico Sérgio Henrique Antonio, disse que solicitou um número maior de funcionários ao comando de greve do Seessb para que tenha a condição mínima de atendimento. Para ele, 30% do mínimo não é suficiente para dar condição de atendimento.
A vice-presidente do Seessb, Sandra Botasim, retrucou afirmando que foi acordado com a gerência de enfermagem da Maternidade que seria disponibilizado para atendimento de urgência e emergência 30% do pessoal da enfermagem e dos outros setores.