Tribuna do Leitor

A saidinha


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Trabalho o ano todo, sem descanso, sem férias, sem 13º, pagando todos os impostos e taxas, fico às vezes sem almoço, por falta de tempo. Chegando o fim de ano pensamos nas festas, nas confraternizações, na vontade de ver pessoas distantes, na vontade de descansar um pouco, aí depois do Natal nos deparamos com nosso lar ou nosso local de trabalho (que é meu segundo lar) invadido por vagabundos que têm todos os seus direitos preservados por lei, fazem 6 refeições diárias, têm o horário de banho de sol, têm direito de visitar a família nos feriados, têm a defesa dos direitos humanos, têm direito de usar drogas e celular dentro da cadeia, têm visita íntima e passam o dia vagabundiando, sem fazer absolutamente nada e ainda, na saidinha, tem direito de pegar meu material de trabalho e vender para comprar suas drogas. Material que demorei 15 anos para juntar e que ajuda todos os dias os animais que atendo e que são meu ganha-pão.

Meu pai sempre me ensinou a ser honesta, a vida toda, mas como dá desânimo ser honesta nesse país, como explicar para as minhas filhas que ainda vale a pena ser honesta com tanto descaso das autoridades, com tanta mamata, com essa lei furada. Então, enquanto os bandidos terão a saidinha de fim de ano eu vou trabalhar para comprar tudo o que perdi, pois ainda não perdi as esperanças, vou deixar de sair de casa para não ser roubada, mas meu voto esses governantes já perderam.


Ana Lucia Geraldi

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