O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) disse ontem que a administração municipal não precisa de R$ 12 milhões previstos no programa federal chamado de Cidade Digital para realizar a informatização de todas as pastas. Segundo Agostinho, a maior parte das etapas de informatização na prefeitura já está realizada. Ele minimiza que a vice-prefeita, Estela Almagro (PT), defensora do ingresso de Bauru no programa federal, teve boa intenção em levantar a proposta.
"A prefeitura inteira já está quase toda informatizada. A Estela agiu na boa intenção porque realmente a dimensão dos recursos para o programa de Cidade Digital é muito grande. São quase R$ 12 milhões. Mas nós não temos nem onde aplicar. O problema para completar a informatização na prefeitura não é dinheiro", afirmou.
Conforme o prefeito, a infraestrutura de hardware e de rede lógica já está pronta. "Temos a maior parte dos pontos com conexão por rádio, tem anel de fibra óptica instalado, tem ponto em todo lugar que precisa. Tivemos investimento continuado nesse setor nos últimos anos. O que eu não analisei e que o projeto Cidade Digital poderia sim alcançar, e eu reconheço, é espalhar pela cidade inteira ponto de internet gratuito. Isso está pendente para avaliar", comentou.
O oferecimento de internet gratuita espalhada pela cidade, comentou Agostinho, envolve uma questão de viabilidade. "Tem empresa de provedor estabelecida e somente uma delas tem 200 empregos na cidade no setor. É preciso avaliar se é interessante para o município instalar os pontos e afetar esse mercado", citou.
A iniciativa de tentar buscar recursos para o Cidade Digital partiu da vice-prefeita Estela Almagro (PT). Ela levantou os dados do programa junto ao Ministério de Ciência e Tecnologia, em Brasília (DF), reuniu diferentes secretários municipais para levantar o que é preciso para a implementação da ação e tentou realizar a contratação emergencial para a elaboração do projeto.
Mas a etapa inicial esbarrou na ausência de informações por parte do responsável pelo setor de Tecnologia de Informação (TI) da prefeitura, Richard Gebara Filho. A empresa contatada, CPQD, reiterou os pedidos de informação de dados estruturais, mas eles não vieram. O prazo era o final de setembro deste ano. Depois de muitas tentativas, Gebara se posicionou contra a forma como o projeto estava sendo levado adiante.
Estela Almagro, então, retornou o problema ao prefeito mas também ficou sem resposta, embora Agostinho soubesse dos passos da formação do grupo para a elaboração do projeto desde a origem.
Rodrigo ainda enfatizou, ontem, que a área de Saúde, um dos gargalos pendentes no processo de informatização, também já conseguiu avançar sozinha. "A Secretaria de Saúde conseguiu um programa por doação que virá com aplicativos já inseridos do próprio Ministério da Saúde e isso está solucionado. Podemos até acessar sim este programa, mas não na dimensão como foi apresentado no início", finalizou.