Tribuna do Leitor

Etecetera e Natal!!!


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O homem, não lhe ponho nome, porque faz questão de ser anônimo, aliás, é ninguém perante o mundo social moderno, não faz parte do censo se é que há senso, o homem, que poderia ser o " bicho " de Manuel Bandeira, passa nas ruas e recolhe e colhe os recicláveis. Na última segunda, passou e desejei-lhe: "Feliz Natal", ao que ele respondeu: "Espero que seja!". Fiquei pensando se o Natal, o dia, claro, a época, o comércio, o presente, o Papai Noel, e as outras coisas mais, os eteceteras são mesmo felizes!

Voltei à minha infância e relembrei alguns natais, um em que Santo Vicentin vestiu-se de Papai Noel, trouxe uma espada e um avião, a arma e a alma, como fui, como fomos felizes. Carlão Vicentin, seu filho e eu. O Papai Noel é o homem das interjeições. Entristece com o que vê, lamenta o que ouve, abraça o outrem que não é ninguém querendo presenteá-lo como alguém!

Às vezes, esperei o "bom velhinho" e ele não apareceu, chamei-lhe Padrasto Noel! Colocar sapatinho na janela, só tinha um, e se me levam o calçado? E o "Amigo Secreto" na escola, compra-se um presente que você se daria para se fazer feliz e ganha-se um estojo de madeira? Ou uma colônia para barbear-se ainda imberbe?

E matar animais? Destroncar galinhas? Decepar carneiros e cabritos? Sacrificar o porco? Quem é mesmo que tem " Espírito de Porco"? Leia "criaram-me à carne", de Machado de Assis. A espera, o compasso de espera, pede-se uma bola e ganha-se um revólver ou uma caneta, odiava o Natal! Decepção tão igual de onde você veio é metáfora com Papai Noel não existe!

E as músicas natalinas lembram naftalina, teclados acelerados, papais noéis de época e lá vem a Simone: "Então, é Natal..." Que pior tradução do Natal, mas a maioria canta e acha que encanta, acho que espanta!

As crianças não têm nada com isso, como é bom ser criança, que ótimo se todo presente fosse um livro! A criança quer brincar, brincar é criar vínculo, quiçá como as crianças do Colégio Plínio Ferraz e não Luiz Braga como disse no artigo "Mulher, hoje tô de Chico", os efebos do coral do maestro Thiago Ortigosa cantaram João e Maria, que hoje seria uma dupla sertaneja, mas que, graças a Deus, o cara é uma canção de Chico Buarque e Sivuca e não uma utopia!

O Natal traz coisas como Xuxa, que ainda teima em ser só para "baixinhos" e sua conta bancária é altinha e ainda há seres que creem que ela educa, já ouviram falar em TV Cultura? Existe novela na TV Cultura? Dengue hoje é uma doença. Praga? Chora por um líder, Paquita hoje é vídeo na rede social, o Natal da Xuxa acabou, seja você, abrace um amigo e não a mídia podre de uma ex-modelo fora dos moldes!

O Natal é triste, é a chaminé que hoje polui, o Papai Noel que deveria passar por Pilates, as renas que reclamam na Diversidade, os presentes não são difíceis, estão à venda na internet! O que é o Natal?

Para mim, o Natal não era, passou a ser depois do nascimento dos meus filhos, quando o mais velho vestiu-se de Papai Noel, segundo muitos alguns, produto de um refrigerante que o fez mudar de roupa e de cor, e trouxe a nós, os velhos, a música chata e triste dos arranhados teclados ou até da Xuxa ou dos discos , " bolachões" que viraram cds!

O único Natal é a família, não é o Roberto Carlos, não é a Missa do Galo, tem até a do Machado de Assis, o Natal é você abraçar a família, é tentar entender que o mundo para, que o champanhe ou espumante comemora a sua vitória, os demais, "etcetera" esperam o nada do tudo ou o tudo do nada, e você para para pensar que Natal é feliz, o Feliz Natal? Deseje com desejo o abraço deve ser laço, a mensagem, coragem, a família, o laço, o abraço, a coragem e o Natal, creio que seja o Cristo, não a tristeza, mas a "Cristeza", o homem a sofrer pelo outro! Feliz Natal!

Que em 2012 aquele homem nunca mais passe a pedir recicláveis na minha casa, pois está trabalhando, Papai Noel deu-lhe um emprego. Que as crianças nos permeiem, criaturas de paz capaz, presentes, a quem perguntaremos: "O que você quer de presente?" E a criança responderá: "O futuro!". Feliz Natal! Renascer é preciso, viver também é preciso!

Professor Sinuhe Daniel Preto

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