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Brasil: economia em alta, IDH em baixa

Gerson Vasconcelos
| Tempo de leitura: 3 min

O Brasil ultrapassa o Reino Unido e se torna a 6° economia do mundo. E mais, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o país vai ser a 5° economia do mundo antes de 2015. Também foi divulgado recentemente o relatório do Índice Desenvolvimento Humano (IDH) 2011: o Brasil ocupa a posição de número 84 entre os 187 países avaliados. Estamos muitos atrás de outras nações sul-americanas, como o Trinidad e Tobago (62), Uruguai (48) ou Argentina (45). E nenhum desses Estados consta entre as posições mais elevadas no ranking da economia mundial.

Dado que a educação está entre os fatores analisados no IDH, cabe perquirir: por que o crescimento econômico tem aparentemente contribuído tão pouco para o melhoramento significativo da educação no Brasil? Outra questão: e daqui por diante, será que o crescimento, tão bem anunciado, trará consigo os avanços que necessitamos?

Não se pode ignorar o nosso atraso em relação a esfera da Educação. Nas últimas publicações do ranking de educação da Unesco o Brasil aparece mal colocado. Em 2010 ocupávamos a posição 88. Em 2011, não subimos nem descemos, ficamos prostrados no mesmo degrau.

A classificação da Unesco visa medir o desempenho das nações em relação às metas de para 2015 estabelecidas na Conferência Mundial de Educação de Dacar, em 2000. "Entre os objetivos a serem atingidos estão ampliar a educação infantil, universalizar o ensino primário, combater as desigualdades de gênero na área e melhorar a qualidade" (Folha.com, 01/03/2011). Os números expostos no ranking mostram como cada país está se saindo em relação a esses objetivos. A última edição (na qual ? rememoremos ? o Brasil figura na posição 88) avaliou 127 países. Nossos vizinhos uruguaios ficaram em 36; os argentinos em 38; chilenos, colombianos, peruanos, venezuelanos, paraguaios... Todos na frente.

Pior que esses comparativos irônicos são a ausência de tristeza, decepção e revolta no rosto dos brasileiros. Certamente no dia em que o Brasil acordar 84° ou 88° no ranking da Fifa a tristeza, decepção e revolta tomarão conta dos corações e rostos do povo de um modo exageradamente muito mais explícito. O que será compreensível, pois para quem já figurou entre os primeiros, estar entre os derradeiros é frustrante, decadente (para quem nunca esteve entre os primeiros, estar entre os derradeiros nem machuca tanto).

É preciso corrigir o que há de errado na educação brasileira. Não precisamos continuar posicionados um pouco acima de países como a Zâmbia, Cabo Verde ou Uganda no ranking da Unesco. Mantega parece muito otimista em suas declarações. Embora tenha afirmado recentemente que o Brasil poderá demorar de 10 a 20 anos para fazer com que o cidadão brasileiro tenha um padrão de vida semelhante ao europeu. Ter um padrão de vida semelhante aos europeus significa ? no mínimo ? ter boa educação. 10 ou 20 anos é muito tempo.

Mas o que importa é que, como profere o ministro, "nós estamos nessa direção e caminhando a passos largos para que o Brasil, num futuro próximo, seja um país melhor". Um pouco de otimismo não faz mal a ninguém.


O autor, Gerson Vasconcelos, é professor de Filosofia


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