A chegada de um novo ano é tradicionalmente cercada de muitas superstições. Alguns acreditam que as cores escolhidas para a roupa podem trazer amor, paz, saúde ou dinheiro. Outros acreditam que comer 12 uvas, uma para cada mês do ano, durante as badaladas do relógio marcando meia-noite atrai boa sorte. Há ainda quem diga que o que você estiver fazendo durante a passagem do ano se repetirá por muitas e muitas vezes durante o novo ano.
Se esta última superstição realmente funcionar, policiais, garçons, médicos, enfermeiros, jornalistas e mais uma série de profissionais que costumam ser escalados para trabalhar enquanto a maioria das pessoas curte a virada do ano podem ficar tranquilos: jamais sofrerão com o desemprego.
E mais: podem se preparar, pois certamente repetirão a dose em feriados como Carnaval, Páscoa e Natal, entre outros.
Coincidências à parte, - e mesmo sem que ele tenha se dado conta disso -, o médico Plínio Caiado de Castro Neto é prova de que algumas superstições podem, sim, funcionar.
Desde que se formou em medicina, em 1977, ele sempre trabalhou nos plantões da passagem de ano. Apaixonado pela profissão, Plínio Neto jamais hesitou em vestir a roupa branca na virada do ano para atender aos pacientes do Pronto Atendimento do hospital onde trabalha. E parece que a cor branca, segundo a crença capaz de atrair a paz, tem funcionado.
“Nos últimos anos, o plantão de Réveillon está bem mais tranquilo. São menos casos de embriaguez, menos acidentes e consequentemente o movimento tem sido menor também. Mas independentemente disso, trabalho por amor à profissão”, afirma.
O mesmo acontece com José Maas, gerente de um restaurante. Há 12 anos, ele trabalha no mesmo estabelecimento, servindo e cuidando para que a ceia e o primeiro almoço do ano de seus clientes seja saboroso e repleto de fartura.
“Acostumei-me a trabalhar enquanto todo mundo está festejando. Aliás, datas como hoje são as que mais temos trabalho. A recompensa vem depois: além do salário maior, ganho alguns dias de folga em épocas de menos movimento”, conta.
Além de José e Plínio Neto, profissionais como policiais, frentistas, enfermeiras, recepcionistas de hotéis, garçons, vigias, entre outros também estão trabalhando enquanto você, leitor, lê esta reportagem e curte junto da família o primeiro dia do ano. Mas quem se importa? Afinal, quando entraram para essas profissões eles já sabiam que festejar o Ano Novo dá trabalho.
Para começar o ano bem
Lentilha, arroz com passas, aves, leitões, uvas e romãs são algumas das diversas delícias que, regadas com muito champanhe, compõem a ceia e o almoço do primeiro dia do ano.
Dá água na boca só de pensar em degustar tantos quitutes, não é mesmo? Mas, para isso é preciso, antes, preparar os alimentos. E como muita gente não tem tempo nem paciência suficientes para ficar horas na cozinha, os restaurantes são uma ótima alternativa.
A Churrascaria Porteira do Rio Grande é um dos estabelecimentos que se preparou para receber quem quer desfrutar dessas delícias sem pôr a mão na massa. Desde a manhã de ontem, cerca de 50 funcionários se empenharam no preparo dos alimentos, limpeza do salão e atendimentos aos clientes.
O gerente José Maas, 39 anos, é um deles. Funcionário do restaurante há 12 anos, ele conta que já se acostumou a trabalhar enquanto a maioria das pessoas se diverte.
“Nesta época, o movimento dobra, por isso, temos de trabalhar mais. As reservas para o Ano Novo começam a ser feitas bem no início de dezembro. No total, entre o almoço e a ceia de Ano Novo, cerca de 400 reservas são feitas”, contabiliza José.
Para dar conta do movimento, o restaurante abriu as portas às 7h da manhã de ontem. Às 11h, o salão foi aberto para os clientes, que deixaram a casa por volta das 16h. Em seguida, o trabalho para receber quem reservou mesa para a ceia começou.
“Depois, o restaurante abre novamente às 18h e segue até cerca de 1h da madrugada. No dia seguinte (hoje), começamos os preparativos para o almoço novamente às 7h”, explica José. Ele afirma que, apesar de trabalhar enquanto a maioria das pessoas festeja, o esforço vale a pena.
“Depois o patrão recompensa nosso trabalho com alguns dias de folga, sem falar que o salário compensa a abdicação”, justifica.