Um homem bem vestido, de família tradicional botucatuense se tornou um bandido temido no Interior paulista. O fantasma de “Dioguinho” que, na pia batismal recebeu o nome de Diogo da Silva Rocha, assombrou por várias décadas a comunidade interiorana.
Mesmo depois de morto, sua vida foi retratada em pelo menos cinco livros. Em documentários e inúmeras páginas de jornais da Capital, seu jeito rude de agir fez com que o bandido “Dioguinho” se tornasse uma lenda para cidades da região de Ribeirão Preto.
Seu corpo, nunca foi encontrado, por isso, acredita-se que somente seu irmão tenha sido morto em uma emboscada preparada pelo governo do Estado de São Paulo. As pessoas que o delataram à polícia foram morrendo misteriosamente, após seu desaparecimento. Daí nasceu a lenda de que ele não tinha morrido na emboscada e continuava agindo.
Para o pesquisador e historiador botucatuense Trajano Carlos De Figueiredo Pupo, a imagem que ficou de “Dioguinho” em Botucatu é de homem corajoso, porém mau. “Ele enfrentou o sistema, ousou enfrentar a polícia, mas nunca para defender os pobres como Robin Hood.”
Na comparação, o historiador arrisca a dizer que a faceta negativa do bandido sobressaiu sobre a positiva. “Um herói que enfrentou a polícia, porém como um cangaceiro. Ele está mais para Lampião do que para Robin Hood.”
Moacir Bernardo, autor de “A Vida Bandida de Dioguinho”, obra datada de 2000, ressalta no livro que o protagonista faz parte da história do faroeste caboclo. “Nos Estados Unidos da América viveram muitos bandidos sanguinários que faziam verdadeiras carnificinas, assassinatos em emboscadas, assaltos a bancos entre outros crimes. Foram imortalizados em livros e filmes do gênero faroeste ou western.”
No Brasil, na década de 20/30, os cangaceiros de Lampião, bando de marginais liderados pelo capitão Virgulino Ferreira da Silva infernizaram e levaram pânico à região do nordeste brasileiro. Eles invadiam e saqueavam fazendas e pequenas cidades. Foram imortalizados em livros, matérias jornalísticas, músicas, poesias, teatro, filmes e tantas outras publicações. “No faroeste caboclo, ‘Dioguinho’ figura como um dos mais conhecidos.”
Segundo o autor da obra, “Dioguinho” teria matado mais de 50 pessoas em sua trajetória bandida. Em Botucatu, sua terra natal, ele não cometeu crimes. Atuou mais na região de Ribeirão Preto.
Sua marca registrada era sua elegância no trajar. “Estava sempre bem arrumado. Era um bandido chic. Um jornalista de Ribeirão Preto escreveu um livro de 500 páginas e descreve o bandido com tules e rendas.”
Bernardo lembra que seu livro é o quarto sobre a vida de “Dioguinho”. “Depois saiu um quinto. O meu é um resumo da história. Eu tenho conhecimento de que em 1907 fizeram um livro, 1920 outro, 1940 outro, além dele figurar em muitas revistas e jornais como: Diário Popular, Notícias Populares, o Estado de São Paulo. Tem ainda um documentário feito pela afiliada da Globo em Ribeirão Preto.”