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Estudo de bauruense causa ?espanto?


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Na época chancelada oficial e diplomaticamente por vários países no percurso - incluindo recepções de todos os chefes de Estado como o presidente brasileiro Getúlio Vargas e ninguém menos do que o mandatário norte-americano da época, Franklin Roosevelt, com quem os três pioneiros também estiveram ? a viagem original, denominada "Expedição Brasileira da Estrada Panamericana", relata Braga, espantou as autoridades que, 80 anos depois, conhecem o feito.

Pelas mãos dos bauruenses, representantes de diversos países americanos receberam exemplares do livro e assistiram as explanações de Braga sobre a importância em torno do reconhecimento à colaboração brasileira na construção da Carretera Panamericana.

A aventura de Leônidas, Francisco e Mário, que incluiu ainda durante o caminho insólitos ? para não dizer inacreditáveis ? encontros com os lendários Eliot Ness (célebre policial que prendeu o mafioso Al Capone) e Augusto Sandino (defensor da liberdade da Nicarágua, dois dias antes de seu fuzilamento), espantou os conferencistas das reuniões organizadas para receber os expedicionários bauruenses.

Mesmo devidamente documentado, o feito impressionou muitos, que somente acreditaram no feito ao folhearem o livro de Braga ou se depararem com fotos da época. Acusado por anos de estar "de costas" para a América e "de frente" para o Atlântico, o Brasil, confia o chefe da expedição bauruense, pode protagonizar, novamente, papel dianteiro na instituição de ditames pan-americanistas.

Durante todo o percurso, Beto e a família são recebidos por diplomatas tanto brasileiros quanto dos países por onde passam. Historiadores, políticos, professores e apaixonados pela história americana são surpreendidos e se emocionam com o vasto acervo de documentos e relatos do memorialista bauruense. "Em diversas oportunidades, como na Costa Rica ou no México, pudemos ver o grande esforço dos diplomatas para nos auxiliarem nas pesquisas e na divulgação do livro", observa Beto Braga.

Na Costa Rica, Braga se encontrou com Raul Francisco Árias Sanches, diretor de limites, fronteiras e litígios internacionais, que se comprometeu em promover, junto ao governo, a instalação de um monumento em honra aos expedicionários brasileiros, atitude chancelada pela engenheira Irene Campos, ministra da Habitação daquele país e presidente da União Panamericana de Engenharia (Upadi). No entanto, o maior exemplo do rebuliço que os estudos do memorialista bauruense causam entre pesquisadores e entusiastas do pan-americanismo no continente aconteceu no México, fora das conferências ou visitas oficiais diplomáticas.

Ao ser recebido por Guilhermo Palácio Olivares, professor-inverstigador do Centro de Estudos Históricos da Universidade "Colégio de México", Braga dá um exemplo da dimensão do feito dos brasileiros. "Eu falava sobre o encontro dos três com Sandino (na Nicarágua). Fui ouvido pacientemente pelo professor, um importantíssimo pesquisador mexicano. Ao final, com toda a humildade, ele (Guilhermo) colocou a mão sobre meu ombro e disse ?nada desmerece sua pesquisa, mas isso não aconteceu?", recorda.

Foi então que Braga abriu a página do livro com os três brasileiros ao lado do libertador da Nicarágua, no que seria a última fotografia de Sandino, a poucos dias de ser fuzilado. Guilhermo, que trabalha em livro sobre o impacto da construção de estradas na história e desenvolvimento do México, não escondeu o espanto. "Ele simplesmente disse: ?cinco anos de pesquisas enterrados?", reproduz. O encontro resultou no projeto de um novo livro, em parceria entre Palácio e Braga, sobre o impacto causado pela construção da Carretera no México.

Efeito da expedição supera a expectativa

Além do imaginável. Essa é a análise que Braga faz dos primeiros efeitos que seu estudo e expedição causam nos países em que a família bauruense ? de volta provisoriamente ao Brasil para as festas de final de ano ? percorre. "Queríamos resgatar o feito que resultou na construção da estrada. Mas a repercussão, apesar de lutarmos por isso, vai além do que a gente imaginou", impressiona-se.

Ainda no México, Braga foi recebido pelo secretário geral do Instituto Panamericano de Geografia e História (IPGH), Santiago Borrero Mutis. Impressionado com a história, a qual, segundo Beto Braga, considerou um dos maiores feitos em prol do Pan-Americanismo, o presidente da entidade, criada em 1928 e especializada em cartografia, geografia, história e geofísica, propôs ao chefe da comitiva bauruense que apresentasse a epopeia aos membros do órgão oficial da Organização dos Estados Americanos (OEA). "No IPGH do século XXI também existem líderes e visionários que acreditam que o ideal pan-americano se torne realidade, alcançando movimentos econômicos e sociais" destacou Borrero, sem economizar reverências ao trabalho do memorialista e escritor bauruense.

"Temos que expressar nosso agradecimento por tudo o que faz pela expedição realizada no século passado", acentua. "Estou imensamente agradecido à Família Braga, para mim foi um momento especial", celebra o secretário geral do IPGH.

Durante a 43ª reunião do Conselho Diretivo, ocorrida em Santo Domingo, na República Dominicana, Braga tornou-se o primeiro brasileiro não-membro a participar, formalmente, da plenária, composta por historiadores, cientistas políticos e pesquisadores de 21 países das três Américas. Já no Brasil, no início de dezembro, Braga palestrou durante a assembleia anual da UPADI, no Rio de Janeiro.

O evento contou com a participação de membros do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros (Febrae), além de representantes de 28 países das Américas e Europa, que conheceram mais a fundo a história da Carretera Panamericana e, consequentemente, se comprometeram a colaborar, junto aos seus respectivos governos, para que o feito do expedicionários brasileiros resultante na maior e mais importante obra da engenharia do século passado seja, definitivamente, reconhecido, enfatiza Braga, que também palestrará na sede da Academia Panamericana de Engenharia (API), na Argentina.

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