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Os períodos de festas de final de ano e férias escolares são críticos todos os anos para o Banco de Leite Humano de Bauru. As doações diárias de 5 a 6 litros caem pela metade, girando em torno de 2 a 3 litros, o que prejudica o estoque regulador do órgão, fornecedor de leite materno para três unidades de saúde da cidade.
Ontem, os últimos três litros de leite pasteurizados foram encaminhados. Aumenta a preocupação da equipe do órgão o fato de que o processo para a destinação do produto é demorado: o leite doado demora cerca de quatro dias para chegar ao receptor. Primeiro, este passa por um controle de qualidade em que é feita a análise fisiológica, de acidez e do nível de gordura do leite. Em seguida vem a fase de análise bacteriológica, que é a sanitária.
Este primeiro processo demora cerca de dois dias até seguir para a pasteurização do leite. Somente depois disso é que o alimento pode ser encaminhado aos bebês que necessitam.
“O leite humano é como um medicamento para bebês prematuros, que possuem baixa imunidade ou são alérgicos a certos tipos de leite”, frisa Maria Nereida Panichi, nutricionista e coordenadora do Banco de Leite Humano de Bauru.
Por isso, a doação constante é de extrema importância. Com grande quantidade de leite doado, é possível manter o estoque em dia para continuar a abastecer as unidades de saúde. “Nós podemos armazenar o leite até 15 dias para ser pasteurizado”, acrescenta Nereida.
Exigências
Existem algumas exigências a serem cumpridas para ser uma doadora de leite humano, como ter boa saúde e não estar ingerindo medicamentos proibidos durante a amamentação. As doadoras prioritárias são aquelas que possuem produção de leite em excesso (veja quadro ao lado).
As mulheres interessadas em doar o leite materno e que já têm conhecimento da técnica para retirada do alimento, devem entrar em contato com o Banco de Leite para que faça a recolha da doação no endereço informado.
As demais doadoras, que não dominam a técnica de retirada do leite, devem procurar o órgão, onde receberão as orientações necessárias através das profissionais.
“Nós ainda estamos conseguindo trabalhar com as poucas doações que estamos recebendo, mas não conseguimos manter o estoque para uma emergência. Por isso, estamos pedindo mais doações”, ressalta Nereida.
Saiba mais
De acordo com Maria Nereida Panichi, nutricionista e coordenadora do Banco de Leite Humano de Bauru, o grupo de funcionários do órgão é dividido para cumprir as “rotas” de doação traçadas por toda a cidade.
O leite coletado logo no início da mamada possui mais anticorpos, mas é menos calórico. Por isso, é indicado para bebês com baixa imunidade e prematuros.
“Estes bebês não precisam de um leite rico em gordura, que é o leite do final da mamada, mas sim um leite rico em proteínas e anticorpos para que ele se desenvolva. Se o bebê em seguida precisa só ganhar peso, ele deve ingerir o leite mais gorduroso, mais calórico”, explica.
Cada mulher doa cerca de 200 a 400 mililitros de leite nos dois primeiros meses após o nascimento do bebê. “Depois disso, o corpo da mulher começa a se adaptar para o fim da amamentação”, acrescenta Nereida.
As mulheres que voltam ao trabalho logo após a gravidez podem agendar o congelamento de seu próprio leite para amamentar o bebê quando for necessário. Estas mães possuem um espaço reservado no Banco de Leite Humano.
