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O que fazer com o novo salário mínimo?

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Entrou em vigor neste domingo a Medida Provisória (MP) que decretou o aumento do salário mínimo nacional de R$ 545,00 para R$ 622,00. Com o novo salário, o valor pago pelo dia de trabalho passa a ser de R$ 20,73, sendo pagos R$ 2,83 pela hora trabalhada.

Para a faxineira e mãe de três filhos Karla Cristina Rocha, 35 anos, apesar de ser pouca, a diferença irá ajudar no orçamento diário. "Com o meu salário, eu pago as contas de água e de luz e compro algumas coisinhas para a casa. Apesar de não ter sido tanto, o aumento vai ajudar na hora de comprar um (botijão de) gás, por exemplo, ou alguns alimentos a mais no mercado", afirma. Segundo ela, o salário mínimo ideal para conseguir manter melhor a casa seria de R$ 700,00.

Sancionado pela presidenta Dilma Roussef em dezembro de 2011, o aumento corresponde a 14,13%, ou seja, uma diferença de R$ 77,00 do valor no ano passado. O novo mínimo terá impacto de R$ 23,9 bilhões nas contas públicas em 2012. A medida pretende beneficiar mais de 48 milhões de brasileiros como Karla.

O aumento foi calculado com base na inflação de 2010 e 2011, acrescido do percentual de crescimento da economia. Para o economista Mauro Fernando Gallo o reajuste do salário ocorreu de maneira positiva. "Esse aumento foi praticamente o dobro da inflação. Enquanto tivemos uma inflação de quase 6% ao ano, tivemos também um aumento real do mínimo em 14%. Isso vai alavancar o comércio de produtos básicos, que são os mais consumidos por essa classe", observa o economista.

Ganhando um pouco a mais que o mínimo, o operador de supermercado, Rafael Prado da Silva, 19 anos, acredita que o salário do trabalhador deveria ter aumentado um pouco mais. "Com R$ 77,00 não dá para comprar quase nada. Só o arroz e feijão, somado com um pouco de mistura, ultrapassa esse valor. Dá para sobreviver, não para viver", brinca Rafael.

A mesma opinião é compartilhada pela bauruense Daniela Romana, 35 anos, que é consultora de vendas e mãe de dois filhos. "Com esse salário mínimo não dá não! Hoje, para você manter uma família de quatro pessoas com um salário, ou até mesmo com dois, é quase impossível. Só de mercado os gastos podem chegar a R$ 600,00", avalia Daniela, que defende o aumento do salário mínimo para R$ 1.000,00.

Poupança


O auxiliar de vendas Leandro Wellington Viltolin, 34 anos, ilustra a realidade vivida por grande parte das pessoas que hoje conseguem viver bem, mas sem poupar um centavo. "Antigamente eu aplicava o dinheiro que sobrava em uma poupança, mas hoje o custo de vida aumentou e os preços dos alimentos subiram muito, mesmo não tendo filhos não consigo poupar. É mercado, é combustível... mesmo com o aumento do salário, será difícil poupar", considera Leandro.

Já para as pessoas que conseguem guardar alguns trocados ao final do mês, o economista Mauro Gallo indica o melhor caminho. "Para quem possui menos de R$ 5 mil guardados o melhor é a poupança, que rende cerca de 0,6% ao mês. Em 2011, os micro investimentos em renda fixa foram os que deram mais lucros. O rendimento da caderneta de poupança não é tributável, então, acabou tornando-se mais rentável para pequenos investidores" afirma Gallo.


Investimento

Para quem recebe salário mínimo, ou um pouco mais do que este valor, e consegue reservar alguma quantia no final do mês, o economista Mauro Gallo diz que a melhor aposta para fazer o dinheiro render em 2012 é a divisão da aplicação em rendas fixas e variáveis.

Segundo ele, na renda variável o ideal é investir de 15% a 30% do capital. "O governo tem falado fortemente na redução de juros, cerca de 3% a 4%, e isso irá refletir na diminuição dos rendimentos das aplicações em renda fixa. Portanto, a renda variável deverá apresentar melhores resultados neste ano", ressalta o economista.

Já para os grandes investidores, mesmo com a Bolsa de Valores fechando o ano em queda, Gallo enfatiza que algumas ações chegaram a subir 45% em 2011. Para quem aplica no mercado de ações, o ideal é apostar em grandes empresas nacionais. Outra saída apontada pelo economista é o investimento em ouro. "O ouro deu um bom retorno neste ano, foi o que mais rendeu. Mas isso é para médios e grandes investidores", completa.

Apesar de o mercado do imobiliário não estar em seu melhor momento para operações de compra, o Mauro Gallo garante que o investimento em imóveis ainda é uma saída rentável. "A locação de imóvel residencial está com uma média de 0,5% (de rendimento) ao mês, o que consideramos baixo. A melhor saída nesse mercado é comprar para revender ou alugar imóveis comerciais. A dica é apostar em condomínios, seja em casas ou prédios", finaliza.

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