Auto Mercado

Dr. Automóvel: Mão de obra automotiva

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini
| Tempo de leitura: 4 min

Não é de hoje que comento a falta de qualidade na mão de obra especializada em mecânica. Isto vale para qualquer setor, seja de reparação, manutenção ou venda de veículo novo. São pessoas despreparadas para o serviço que se propõem a prestar ou para o qual são pagas para realizar, mas os consumidores não reclamam por falta de conhecimento ou por ganância, por escolherem os preços mais baratos. Este círculo vicioso leva a uma decadência nos serviços de manutenção e reparação veicular seja para motos, automóveis, picapes, tratores ou caminhões, chegando ao ponto de afastar alguns bons profissionais do ramo do mercado.

O intuito desta coluna é e sempre foi passar informações técnicas a respeito dos nossos veículos de uma forma leve e intuitiva, sem abusar do engenheirês técnico. Da mesma forma, tentamos ensinar como reconhecer os bons profissionais do ramo e escolher seus serviços, para o bem de nossos veículos e de nosso próprio bolso. E como a melhor forma de educar é por exemplos, sempre comento as boas e más performances de alguns profissionais que encontro no dia a dia, valorizando os bons e alertando contra os menos preparados não apenas na mecânica, mas em tudo que se relaciona ao mercado automotivo (vendas, peças, seguros, acessórios).

Na semana passada comprei um Nissan March SR completinho (falaremos mais sobre as impressões e avaliações deste carro em breve) por uma razão bem racional: não preciso mais ter um carro grande pois os filhos se casaram e hoje viajo apenas eu e a esposa (muitas vezes de moto), portanto o ideal seria um carro menor, mais ágil, com bom motor e bem econômico. Depois conto por que escolhi o March 1.6. Como o assunto é mão de obra, tive durante a semana alguns exemplos a comentar. Na concessionária Nissan Katana de Bauru onde fiz a compra, fui muito bem atendido pela vendedora Lilian que sempre respondeu minhas perguntas de forma objetiva e, quando não sabia, ia perguntar e voltava com a resposta. Tudo o que prometeu foi cumprido, desde a negociação de preço (paguei à vista e tive um desconto) e acessórios inclusos, até a data de entrega dentro do prazo. Os acessórios foram oferecidos e não empurrados, de forma bem profissional. Isto demonstrou o grau de treinamento da vendedora, que se mostrou preparada para o atendimento a uma clientela mais exigente por qualidade.

No dia seguinte retornei à concessionária, pois verifiquei que o alto-falante da porta do motorista não estava funcionando. Em um carro novo em que foi adicionado um atuador de vidro elétrico pelo controle remoto como acessório, poderia ser simplesmente um conector de chicote mal encaixado, coisa normal e simples de ser resolvida. Ao chegar, fui prontamente atendido pela Aisha (desculpe se escrevi errado seu nome) que responde pelos acessórios, que imediatamente providenciou a chamada do técnico para a realização do conserto. Enquanto aguardava, apareceu outro vendedor que me perguntou qual era o problema. Ao responder sobre o alto-falante, ele prontamente disse confiante: "- É coisa simples, deve ser apenas um fusível", ao que eu prontamente retruquei "- Vocês colocam fusíveis em alto-falantes?" e ele ficou sem reação. Creio que ele quis fazer um comentário do tipo "não liga não, este problema é simples, nossos carros são bons" ou coisa do gênero, mas se aventurou em uma área de que não tinha domínio e se deu mal. No caso dele, faltou tanto treinamento técnico quanto cabelo. E quanto ao conserto, foi feito em menos de 15 minutos como previsto e de forma satisfatória.

Em um posto de gasolina, fui abastecer e, pelo visto, era o primeiro modelo daquele tipo que parava por ali. Um frentista veio todo sorridente e perguntou se era para colocar etanol ou gasolina, mas que ele sugeria usar a gasolina "não por causa do preço, mas o motor fica mais macio"... Dá pra perceber que meu metabolismo foi afetado novamente pela falta de lógica técnica. Coloquei gasolina sim,só que pelo preço e autonomia, e assim será enquanto o etanol continuar com estes preços sem sentido. Só acho que o fato de abastecer o tanque dos carros não confere ao frentista o conhecimento necessário para sair por aí despejando besteiras aos leigos.

O mesmo ocorre com prestadores de serviço de instalação de acessórios como som, buzinas e enfeites, ou revendedores de pneus, por exemplo. Seria bom que se aprofundassem mais nos produtos que representam e não enrolassem os clientes com bobagens. Sempre compete aos empresários selecionar e treinar melhor seus funcionários.

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