Uma dorzinha aqui, outra ali e mais uma acolá. Quem nunca amanheceu com dores no corpo por uma noite mal dormida ou não conseguiu pregar os olhos por causa de uma dor de cabeça? E as pernas que insistem em latejar depois de horas de trabalho em pé? E para o alívio imediato de tais incômodos, a receita "popular" é sempre a mesma: um analgésico.
Entretanto, aquele comprimido que parece mágico por proporcionar alívio imediato pode esconder grandes armadilhas dependendo da sensibilidade individual, da dose e/ou do tempo de uso. Entre as possíveis complicações estão gastrite, úlcera gástrica, baixa de pressão arterial, alterações da coagulação, diarreia, insônia ou sonolência, esquecimentos, irritabilidade e até alterações hepáticas ou renais, no casos dos anti-inflamatórios, além da dependência.
"Em tese, remédios são substâncias boas por proporcionarem alívio de dores e a cura de males. Contudo, o uso de qualquer medicamento sem indicação médica é sempre perigoso pela possibilidade de ocasionar diversos efeitos colaterais ou mesmo reações adversas que podem causar até a morte", alerta Thais Helena Abrahão Thomaz Queluz, professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) e membro do Comitê Nacional para Promoção do Uso Racional de Medicamentos.
Gislaine Garcia é farmacêutica e afirma que os analgésicos são os produtos mais vendidos nas farmácias ao lado dos anti-inflamatórios. Ela avalia que o perfil dos consumidores de tais medicamentos varia mas que, no geral, são homens e mulheres acima dos 30 anos. "Alguns dizem não dormir sem remédio para dor de cabeça... Infelizmente, para muitos, isso é um hábito".
Indicação médica
Vendidos e ainda expostos livremente nas prateleiras de algumas farmácias e drogarias, os analgésicos representam um perigo para o consumidor. Normalmente, a dor é a manifestação de alguma doença e, por ser um tratamento do sintoma da dor, o analgésico trata apenas esse sintoma e não a sua causa. Dessa forma, a enfermidade que continua pode progredir e isso é mascarado pelo uso de tal medicamento. Por isso a necessidade de indicação médica para se saber o porquê da dor.
"Por exemplo, se você tem uma dor de cabeça, tudo bem tomar um analgésico, mas se tal dor se repete, se mantém ou aumenta de intensidade, é necessário procurar um médico porque o problema pode ser sério e exigir tratamento adequado sem o qual a pessoa pode até morrer", exemplifica Queluz.