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Dor de cabeça, de episódica à crônica

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 1 min

Segundo o neurologista Adriano de Paula Galesso, cerca de 95% dos homens e 99% das mulheres terão algum tipo de dor de cabeça ao longo da vida. Para aliviar o transtorno, é comum o uso de analgésicos, muitas vezes de maneira exagerada.

"O uso excessivo de medicações analgésicas pode transformar uma cefaleia, dor de cabeça casual, em crônica. Nesses casos, é possível notar que a suspensão dos analgésicos já provoca uma melhora na intensidade e na frequência das crises de dor em muitos pacientes", aponta.

Galesso explica que o uso indiscriminado de medicamento contra a dor provoca mudanças químicas no cérebro alterando o limiar para a dor do indivíduo, o que facilita nova ocorrência do sintoma. "A dor pode até ser reduzida com a tomada do medicamento, mas depois ela volta mais forte, mais frequente, necessitando do uso de doses maiores e em menores intervalos. Existe uma verdadeira dependência química", expõe.


Dependência

Segundo especialistas, a ocorrência da dependência e da tolerância no uso de analgésicos depende de diversos fatores relacionados ao paciente e a terapêutica descrita pelo médico. De modo geral, se o paciente faz o uso destes medicamentos conforme prescrição médica, a incidência destes eventos é reduzida. Nos casos de automedicação ou medicação descontinuada sem orientação médica, estes eventos apresentam maior probabilidade de ocorrência.

"Nos casos de dependência do uso de analgésicos narcóticos, o tratamento deve ser realizado com acompanhamento médico com o objetivo de minimizar os sintomas da síndrome de abstinência. A natureza e a intensidade destes sintomas dependem de muitos fatores, que incluem a droga específica, a duração do uso e a saúde e personalidade do dependente", explica Fernando Tozze Alves Neves, professor de farmácia da Universidade do Sagrado Coração (USC).

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