Regional

?Construindo? com linhas e agulhas

Rita de Cássia Cornélio
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Rita de Cássia Cornélio


Marilene dos Santos Silva era dona de casa e morava na Bahia quando o marido, Gileno Almeida Silva, veio para o Estado de São Paulo trabalhar no corte de cana. Há seis anos, ela deixou o território baiano e veio ao encontro do marido que estava em Lins (102 quilômetros de Bauru).


Ela sempre teve uma queda por costuras, fazia pequenos consertos em roupas, mas nunca teve a oportunidade de se tornar uma profissional da área. Em Lins, ela ficou sabendo do curso no Fundo Social de Solidariedade e não titubeou. Fez a matrícula e há dois anos mudou a vida.


Foi com a tesoura, linha e agulha que ela se encontrou. Aprendeu a costurar e não parou mais. Está no Fuss costurando uniformes para uma empresa que terceirizou os serviços. Mas ela não se contentou com o que recebe por ali.


“Eu comprei primeiro uma máquina caseira e comecei a fazer pequenos consertos para os vizinhos. Comprei um terreno e estou construindo uma casa. Vou sair da edícula. Já estou com mais três máquinas em casa.”


A casa está na fase de acabamento, a que requer mais recursos financeiros, mas a baiana não se assusta. “Como eu levava trabalho para casa e meu marido se interessou, comecei a ensiná-lo. Atualmente, ele e meu filho já costuram. A menina mais nova ainda observa, mas logo, logo vai costurar também.”


Na nova moradia que falta pouco para terminar, a cozinha virou o ateliê de costura. “Assim que a casa estiver pronta, vamos transformar a edícula que moramos em ateliê. Por enquanto, a futura cozinha ainda é nossa sala de costura.”


O marido que trabalha para uma usina na cidade também está manuseando bem as máquinas e ganhando um extra. “Aprendi costurar e tomei gosto. Como trabalho por turno, quando estou em casa fico costurando. Acredito que futuramente vou poder mudar de profissão. Aplico herbicida no canavial. Tomo muito sol e trabalho à noite. É um trabalho pesado.”


O filho do casal, Jeferson Cássio Santos da Silva, de apenas 15 anos, também está adotando a costura industrial como profissão. Segundo a mãe, ele faz acabamentos naquilo que o pai e mãe costuram.

 

Bicho de pelúcia

Vanessa da Silva Hass, 31 anos, está debutando entre as costureiras do Fuss. Está há três meses em Lins. Veio de Ibitinga e já tinha noção de costura. “Eu costurava bichos de pelúcia para uma empresa. Já manuseava bem a máquina industrial. Em pouco tempo aprendi a fazer calças, camisas e blusas.”


No final do ano, a costureira fez uma blusa nova para ela passar o Natal. “Foi muito prazeroso poder costurar para mim mesma. Eu estava desempregada e aqui consigo ganhar um salário mínimo em média, depende da quantidade de serviço que o Fuss recebe.”

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