São Paulo - Ao menos 35 pessoas já foram presas na operação policial nas ruas da cracolândia, no centro de São Paulo. Ontem foi o quinto dia da ação, que começou na terça-feira, dia 3 e causou a dispersão dos usuários para as ruas da região.
Segundo balanço da Polícia Militar, foram presos 15 suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas, além de 20 procurados da Justiça que foram recapturados até às 6h de ontem.
Anteontem, a polícia apreendeu 520 pedras de crack e deteve sete pessoas em um imóvel localizado na rua Helvétia, foco de usuários de crack.
Além da droga, foram apreendidos no local 18 relógios, dois celulares, balança de precisão, munição para revólveres e R$ 1.500.
De acordo com o comandante da PM, tenente-coronel, Álvaro Camilo, os policiais abordarão os grupos de moradores de rua quando depararem com eles ou forem solicitados pela vizinhança.
“Se estiver consumindo droga, ou tráfico, a polícia vai fazer (o encaminhamento para o distrito). Se não, vamos comunicar as assistentes sociais ou saúde para agir.”
Também foram encaminhadas 12 pessoas para atendimento de saúde, e outras cinco pessoas foram encaminhadas para hospitais, segundo o balanço.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a tendência é que as internações e atendimentos aumentem após a ação policial, conforme o acesso à droga é dificultado.
Com a saída dos dependentes, comerciantes da região comemoravam, mas com ressalvas.
O comerciante Luís Diniz, 53 anos, diz que a ação já reflete em uma melhora no movimento dos clientes da sua loja, que faz serviço de guarda-volumes para pessoas que vêm de outros Estados fazer compras na região.
“Antes os clientes tinham medo de vir até aqui, agora até o ar melhorou”, disse Diniz.
Em frente ao Largo Coração de Jesus, o funcionário do centro social da igreja, Carlos, 62 anos, vê com ressalvas a eficácia da ação.
“Tudo quanto é coisa ruim acontecia aqui e ninguém fazia nada, o brasileiro vai deixando crescer, aumentar, até virar um grande problema e ter que cortar violentamente. Você acha que prender alguém que não tem perspectiva nenhuma na vida resolve alguma coisa?”, disse.
Já especialistas na área de atendimento a usuários de drogas e políticas públicas para o setor divergem sobre a ação na cracolândia.
Carlos Salgado, psiquiatra e conselheiro da Associação Brasileira de Estudo de Álcool e Drogas, vê positivamente a ação da PM, como primeira etapa. “A operação policial é parte relevante. É positivo reorganizar o ambiente geográfico ali, de forma a tornar a droga menos disponível”.
Mas há quem discorde. “Eu não entendi nada. A gente tinha um projeto para a cracolândia. E não era operação policial”, afirma a psiquiatra Ana Cecília Marques, que participou de reuniões entre governo estadual e prefeitura sobre a ação na região.