Sem otimismo nem pessimismo, sem nem mesmo emitir um juízo de valor, simplesmente descrevendo a realidade concreta e imutável. Nos primeiros anos, cerca de 12, estamos no que se convencionou chamar de infância e os anos não nos incomodam porque só tomamos conhecimento deles com relação à matrícula escolar.
Depois dos 12 primeiros, vem um período bem curtinho que é a chamada pré -adolescência, que vai até mais ou menos apenas dois anos, que também não nos importa muito a não ser pela pressa para se chegar aos chamados "inte". Estes, mais longos, duram dez anos e importam muito. Neles queremos fazer tudo acontecer.
Em seguida vem os "inta", mais dez anos importantíssimos, e nele nos regalamos meio temerosos às vésperas de entrar nos "enta", e esses, sim, são mesmo os mais longos, mais plenos e mais produtivos de nossas vidas e duram, pasmemo-nos, podem durar até 60 anos.
É nesses "enta" que, queiramos ou não, entramos para a grande universidade da vida, de grade curricular imensa e variada, e onde temos professores desde os mais simples, como as crianças, até os mais sábios, com os possíveis mestres da vida que encontrarmos. E nessa universidade não temos férias, não temos reforço, segunda chamada, nem nada disso. Ou aprendemos ou aprendemos, não tem desculpa nem arranjo e tudo que foi ensinado um dia nos é cobrado e temos de dar conta do que aprendemos e sofrer as consequências do que deixamos de aprender por falta de atenção.
Como a vida depende da maquininha que a mantem e essa maquininha chamada corpo é perecível, tem prazo de validade, às vezes ela pode falhar até mesmo quando estamos ainda em plenos anos "enta" e então, com a falha da máquina, nossa qualidade de vida decai, até que chegamos ao fim do cronograma de nossas vidas.
E tudo isto, independe de nós, é imutável e perene na vida de todos e de cada um. Feliz Ano Novo seja ele de infância, juventude, inte, inta ou enta.
Isolina Bresolin Vianna