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Por medo ou respeito,cai desobediência ao semáforo vermelho

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

"As pessoas não estão mais conscientes do que antes. Pelas experiências vividas, estão é sentindo mais medo ou respeito no trânsito". Esta é a avaliação do sargento Sílvio Carlos Rossi, do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar (PM), sobre a queda nos índices de motoristas que avançam o sinal vermelho ou deixam de usar o cinto de segurança.

Entre 2010 e 2011, a média mensal de infrações motivadas pelo desrespeito à sinalização semafórica diminuiu de 181 para 119, uma variação de 34%. Já a falta do cinto de segurança gerou a elaboração de 409 autuações por mês em 2010 e 231 em 2011, uma redução de 43,5%.

Rossi, profissional que atua há 24 anos no trânsito de Bauru, atribui o resultado às experiências negativas vivenciadas pelos motoristas nos últimos anos. "Quem já foi autuado ou provocou algum tipo de acidente por imprudência, acaba ficando mais cauteloso porque não quer perder mais pontos na carteira. Tem uma parcela que tem medo de morrer, mas é enganoso pensar que as pessoas estão mais responsáveis", diz.

Ainda que decrescente, o número de infrações, entretanto, ainda está bem abaixo do ideal, na avaliação do policial. "Se houvesse uma viatura em cada cruzamento, certamente não haveria ninguém desrespeitando a legislação. Mas esta, infelizmente, não é uma situação possível", comenta.

O uso de cinto de segurança dentro da cidade foi instituído há pouco menos de 15 anos e, por este motivo, ainda corresponde a um volume maior de infrações. Entre janeiro e novembro de 2011, foram 2.548 autuações elaboradas pela Polícia Militar e pelos "azuizinhos" do Grupo de Operações de Trânsito (GOT) da Empresa Municipal do Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). No mesmo período, 1.309 condutores foram multados por avançar o sinal vermelho.

"Neste último caso, o motorista geralmente é autuado quando percebe que o sinal está vermelho antes de se aproximar do cruzamento e, mesmo assim, ultrapassa", diz ele, explicando que os policiais de trânsito não agem com intransigência diante de situações particularizadas. "Se o motorista começa a atravessar o cruzamento com o sinal amarelo e a lâmpada muda para vermelho, não há porque multar", contemporiza.


"Na linha"

Motociclista no horário de trabalho e motorista nos momentos de lazer, o comerciário Paulo Roberto da Silva, 38 anos, confessa que aprendeu a andar "na linha" depois de alguns sustos no trânsito de São Paulo, onde morou anos atrás. "Já abusei muito e, uma vez, acabei sofrendo um acidente. Hoje, sou zen. Obedeço totalmente à sinalização", comenta.

O lema "paz no trânsito" também é adotado pela aposentada Alice Deganuti, 62 anos, 35 deles com Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Ela se orgulha por poder dizer que, até hoje, nunca recebeu uma multa sequer. "Hoje, toda vez que eu saio, estou a passeio. Coloco meus netos na cadeirinha, no banco de trás, e não tenho pressa para chegar aos lugares. Correr para quê?", questiona.

Já a estudante Kelly Cristina Aparecida da Silva, 38 anos, é sincera ao reconhecer que, quando precisa dirigir de madrugada, geralmente atravessa o sinal vermelho. "Até por uma questão de segurança, a gente desacelera, dá uma olhadinha no cruzamento, e segue adiante. Mas é algo que não faço no dia a dia", frisa.

Ainda que a estratégia para não ser alvo de criminosos seja perdoável (leia mais abaixo), Kelly também vive descumprindo a lei quando o assunto é o cinto de segurança. Com quatro filhos entre 5 e 8 anos, não há espaço no carro para instalar cadeirinhas para todos eles, que seguem no banco de trás protegidos apenas pelo dispositivo de segurança comum, indicado para pessoas maiores de 10 anos. "E dois deles acabam dividindo o mesmo cinto. Não há o que fazer", justifica.


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De madrugada, avançar sinal é ?compreensível?

Avançar o sinal vermelho durante a madrugada em locais ermos não é uma prática prevista pelo Código Brasileiro de Trânsito (CTB), mas pode ser adotada pelos motoristas de Bauru, que, se obedecerem a critérios de bom senso, não correm risco de serem autuados pela Polícia Militar (PM).

Segundo o sargento Sílvio Carlos Rossi, do Pelotão de Trânsito da PM, a estratégia é considerada "compreensível" diante da insegurança pública que assombra os motoristas, potenciais vítimas de assaltos ou sequestros-relâmpagos durante a madrugada. "Se o local for perigoso, não houver veículos transitando e o motorista observar atentamente antes de atravessar, não cabe penalizá-lo por isso", frisa.

É claro que a complacência dos policiais tem limites e é preciso bom senso na hora de descumprir a lei. "Na última sexta-feira, às 2h30, eu estava na viatura, parado no cruzamento da Nações com a Nuno de Assis, e um senhor passou no vermelho. Não havia motivo para ele infringir a lei, já que estava ao lado de um policial. Neste caso, o motorista foi autuado", comenta.


Diferença entre vida e morte

O sargento Sílvio Carlos Rossi, do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar (PM), alerta que usar cinto de segurança e respeitar o sinal vermelho pode garantir a vida de muitas pessoas. "O cinto deve ser usado inclusive por quem está no banco de trás, na estrada ou dentro da cidade. Infelizmente, as pessoas acabam não tendo a real dimensão do quanto ele é importante para preservar a integridade física dos ocupantes do veículo em caso de acidente", pontua.

A falta de uso de cinto de segurança é considerada infração grave e prevê perda de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), além de multa de R$ 127,69. Já ultrapassar o semáforo quando a luz estiver vermelha representa infração gravíssima. Se flagrado, o motorista perde sete pontos da carteira e desembolsa R$ 191,54.

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