Para relaxar e curtir o verão, nada melhor do que a combinação de sol, praia ou piscina. Entretanto, é preciso cuidado e atenção aos hábitos para prevenir doenças de pele comuns nessa época do ano. Dados da Secretaria de Estado da Saúde apontam aumento médio de 30%, entre janeiro e fevereiro, no número de consultas com dermatologistas nos ambulatórios estaduais.
Uma estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) também apontou, nesta semana, que o Brasil deverá registrar mais de 134 mil novos casos de câncer de pele em 2012. Segundo informações da secretaria, o principal motivo que levaria as pessoas a procurar um médico são as queimaduras causadas pela exposição inadequada ao sol.
Essas lesões podem ser perigosas por terem poder de evoluir, de acordo com o calor, para um tipo de câncer de pele chamado melanoma.
Para a dermatologista Bhertha Tamura, coordenadora do setor de dermatologia do Ambulatório Médico de Especialidades (AME) Heliópolis, em São Paulo, é preciso que a população se conscientize a respeito dos danos provocados pela exposição indevida ao sol. "Infelizmente as pessoas ainda não tomam os cuidados adequados para se proteger do sol e acabam voltando das férias com queimaduras, algumas vezes graves", enfatiza.
O uso do filtro solar protege a pele dos raios UVA e UVB, mas Tamura explica que apenas passar o produto não é passaporte para uma exposição prolongada. Ficar sob o sol deve ser evitado entre 10h e 16h. A dermatologista também alerta sobre o uso de maneira esporádica e inadequada. Para ela, a efetiva proteção da pele requer a quantidade correta do produto e reaplicação em alguns casos.
"É preciso passar várias vezes o protetor, mesmo em dias nublados. Também é preciso se proteger com roupas, chapéu e óculos de sol. Essa atenção deve ser redobrada caso a pessoa tenha a pele muito sensível, branca ou que já tenha tido algum tumor de pele", pontua a dermatologista.
José Roberto Orto Bezerra tem 48 anos, mas trabalha há dez anos vendendo sorvetes na rua. Ele é um exemplo claro de como a proteção é importante para evitar a ocorrência de doenças na pele. Há alguns meses ele foi ao médico, que constatou o câncer de pele na região dos braços.
Alertado sobre os efeitos do sol na intensificação da doença, o sorveteiro resolveu se prevenir. Andando o dia todo sob o sol com camisa de mangas compridas e boné, o sorveteiro afirma que não abre mão da proteção solar.
"Passo protetor fator 50, manipulado, duas vezes por dia para trabalhar. No rosto, na orelha e na nuca eu coloco bastante. Mesmo dentro de casa o médico falou para passar, por conta do meu problema na pele", conta José.
Câncer de pele
Diagnosticado em sua maioria em pessoas com mais de 40 anos, o câncer de pele corresponde a 25% do total de tumores malignos detectados no país, segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca).
As pessoas de pele clara, sensível à ação dos raios solares ou com doenças cutâneas prévias são as principais vítimas nessa estatística. Dentre a estimativa divulgada, a incidência dos novos casos é de aproximadamente 63 mil em homens contra mais de 71 mil em mulheres.
Diante dessa estatística, o Inca recomenda que as pessoas estejam atentas para o uso do protetor solar. A orientação feita pelo instituto é aplicar o filtro meia hora antes de sair de casa e manter a reaplicação do produto a cada duas horas. O protetor também deve ser reforçado após mergulhos ou em casos de suor intenso.
O corpo todo precisa de proteção, entretanto, algumas partes como as orelhas, o couro cabeludo (principalmente em pessoas calvas) e os lábios precisam de atenção por ficarem mais expostos.
Outro conselho é o uso de roupas confeccionadas com tecidos que têm proteção contra o sol, produzidos com tecnologia especial. Em relação ao fator de proteção solar (FPS), a indicação é utilizar, no mínimo, o número 15. O fator 30 é indicado para pessoas com pele clara.
Micoses
Além das queimaduras, em segundo lugar na lista de doenças de pele características do verão estão as micoses. Dados da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo mostram que as micoses são responsáveis por um aumento em 20% das consultas médicas na área. O aumento das temperaturas e da umidade do ar é ideal para a infestação da pele por fungos, principalmente entre os dedos dos pés e na virilha.
"Para a prevenção nesses casos o mais indicado é evitar ficar muito tempo com as roupas molhadas. As micoses facilitam a entrada de outras bactérias, podendo ocasionar uma infecção secundária", diz a dermatologista Bhertha Tamura.
Outros cuidados
A dermatologista Bhertha Tamura também alerta para as lesões causadas por limão e outras frutas cítricas manuseadas sob o sol. Essas lesões causam bolhas e manchas escuras na pele, que podem durar vários meses. Manchas na pele, principalmente em pessoas com predisposição genética ou hormonal, também são acentuadas nessa época do ano.
Se você pretende viajar para a praia, fique atento com os perigos no mar. "Outro tipo de queimadura na pele é causado pelos animais marinhos, como ouriço do mar e água viva. Caso ocorra um acidente, é preciso lavar o local com água limpa e corrente, além de procurar um médico imediatamente", explica Bhertha.
Protetor solar
A escolha adequada do Fator de Proteção Solar (FPS) para cada tipo de pele é fundamental para maior proteção. Segundo informações prestadas pelo site do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), os tipos de pele mais sensíveis necessitam de um fator de proteção maior.
Um produto com FPS 8, por exemplo, permitiria a exposição da pele ao sol por um período 8 vezes maior do que seria permitido sem a sua utilização. Entretanto, passado o período de proteção, a pele poderá sofrer danos.
Quanto maior o grau do FPS, maior será também o nível de proteção. Para a escolha compatível ao tipo de pele, não se deve considerar as partes do corpo mais expostas, como braços ou rosto. Essas regiões estão em contato direto e constante com o sol e respondem de forma diferente aos seus efeitos.