São Paulo - A Procuradoria-Geral de Justiça defendeu ontem a instauração de um inquérito civil para investigar a ação da Polícia Militar na região da cracolândia, no centro de São Paulo. A investigação do Ministério Público havia sido criticada anteontem pelo secretário de Segurança Pública do Estado, Antonio Ferreira Pinto.
Procurador de Justiça licenciado, Ferreira Pinto criticou o órgão do qual faz parte. "Me sinto à vontade para dizer que essa ação dos promotores foi apenas para se promover. Uma pirotecnia."
O secretário contestou os promotores, que disseram que a operação na região foi desarticulada, desastrosa e boicotou o trabalho que vinha sendo feito nos últimos dois anos na região.
Em nota, a Procuradoria-Geral de Justiça afirmou que a instauração de um inquérito civil sobre a atuação policial na região é "uma contribuição necessária para o efetivo equacionamento da situação".
Disse ainda que "no Estado Democrático de Direito nenhum segmento ou ato estatal pode estar imune aos mecanismos constitucionais de controle".
No comunicado, o Procurador-Geral de Justiça, Fernando Grella Vieira, também afirma que a cracolândia não é um problema "meramente policial".
No último sábado, reportagem da revelou que a deflagração da operação policial no centro de São Paulo foi decidida exclusivamente pela PM sem a participação de órgãos de assistência social da cidade.
O secretário da Segurança Pública de São Paulo proibiu que a Polícia Militar utilize bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar usuários de droga na cracolândia.