Tribuna do Leitor

Eu pago, por isso tenho direito


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Costumo, antes da minha caminhada diária pela Nações Unidas, não apenas ouvir o noticiário divulgado pelas emissoras, como também ler os jornais locais. Assim, ao iniciar o passeio matinal, o faço com conhecimento de quase tudo o que está acontecendo, principalmente no que diz respeito à minha querida Sem Limites.

Na última terça feira, por exemplo, li a manchete do JC informando que mais de 140 mil pessoas poderiam ficar sem água no decorrer daquele dia e havia, então, a necessidade de um esforço da nossa gente quanto a economizar o chamado líquido precioso.

Pensando bastante naquele problema, iniciei meus passos pela Nações quando, surpreso, me deparei com um cidadão na maior tranquilidade lavando o seu carro com uma mangueira jorrando muita água. Não sei, mas talvez ele tivesse lido os jornais ou acompanhou o noticiário daquela manhã pelo rádio. Portanto, não ignorava o apelo do DAE.

Calmo, derramava água sobre as diferentes partes do veículo e, ao seu lado, uma pessoa varrendo a calçada se aproveitava do líquido que saia de forma abundante através da mangueira para deslizar a vassoura sobre os ladrilhos. No entanto, o que mais me estarreceu foi que, em certo momento, ele igualmente esguichava a água sobre a parte da vassoura esfregada na calçada, talvez para depois guardá-la sem a sujeira oriunda do penoso trabalho.

De longe fiquei apreciando aquele espetáculo e pensei: como é difícil administrar uma cidade, em seus mais diferentes aspectos. Se Bauru tem falhas governamentais no que tange a sua melhor manutenção, também o povo é culpado com atitudes como essa que acabei de narrar. Sei que após a publicação desta muitos leitores irão também citar a desatenção da prefeitura quanto a uma eficiente atuação em benefício do nosso povo. Mas aquele quadro que se desenhou na minha frente, justamente num dia em que quase um terço da população iria sofrer com a falta de água ficou marcado. Se aquele cidadão fosse naquele momento criticado por alguém, acredito que a resposta seria imediata: "Eu pago, por isso tenho direito".

Luciano Dias Pires ? Jornalista

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