Parece que ninguém quer colocar o dedo na ferida que ainda sangra, mesmo após o processo de intervenção judicial já ter ocorrido há 2 anos e, na prática, nada mudou para melhor com a nomeação dos atuais gestores indicados pela Justiça.
Na verdade, o principal problema continua sendo de gestão eficiente e comprometida socialmente, e não apenas a falta de recursos como tentam alardear alguns "lobos em peles de cordeiros" aos funcionários e aos usuários da AHB.
A imprensa e o próprio Ministério Público precisam fazer alguns questionamentos junto ao Conselho Interventor sobre fatos que estão ocorrendo diariamente e que são, no mínimo, estranhos para uma instituição que está em "crise financeira". Uma delas foi a significativa redução de número de internações (até 60%) e, mesmo assim, um aumento do número de óbitos, algo incoerente.
Nos últimos 2 anos, desde que o Conselho Interventor assumiu a gestão da AHB com a anuência do MP, também nenhum equipamento foi trocado ou modernizado. Foram feitos apenas reparos meia-boca.
Para uma instituição em "crise financeira", como é o caso da AHB, também é muito estranho os reajustes dos honorários médicos, pagando igual a Unimed. Há diretores recebendo de R$ 15 mil a R$ 20mil de salários e uma equipe de "qualidade hospitalar" ganhando de R$ 6mil a R$ 10mil.
Há ainda outras práticas que merecem ser devidamente apuradas pelos responsáveis, como por exemplo, a locação de um imóvel em frente ao HB para treinar pessoas da área administrativa; a locação do serviço de UTI móvel da Unimed para transferência de pacientes, quando o próprio HB possui uma UTI móvel cedida pelo Estado; a extinção do serviço de endoscopia há 1 ano e a terceirização do serviço de fisioterapia para a Clínica Terra. Apurar tudo isso e muito mais é uma questão de justiça com a sociedade que paga seus impostos e não pode, mais uma vez, ser ludibriada.
Também precisam ser questionadas as aquisições de materiais e equipamentos não prioritários para uma instituição que alega estar em crise, como TVs, aparelhos de ar-condicionados e cadeiras de luxo. Se houvesse uma gestão eficiente e transparente, a AHB não estaria agonizando. Há muitos fatos a serem explicados à sociedade pelos atuais gestores. A eles lembro que o compromisso deve ser com a população, e não com a corporação. Se agir com seriedade, sobra dinheiro. Cadê a imprensa, cadê o MP, cadê o dinheiro?
Hélio dos Santos ? Bauru