Moro na Quinta da Bela Olinda desde 1998, quando meu pai construiu a casa de seus sonhos, buscando qualidade de vida, ar puro, pássaros na manhã e lindos entardeceres. Tudo isso, conseguimos viver, e mais tarde acabei construindo uma casa no mesmo bairro, onde fui morar assim que me casei.
Quando passamos a efetivamente habitar na Quinta, um dos mais bonitos locais da cidade e que nos proporcionaria tudo aquilo que buscávamos, nos deparamos com um bairro totalmente esquecido pela prefeitura. A Quinta da Bela Olinda já havia sido um lindo condomínio fechado, com portaria e segurança. Todos que aqui moram ou moraram vieram em busca de qualidade de vida, terrenos espaçosos, casas diferenciadas e natureza saudável.
Então, começamos a tentar resgatar os moradores em um engajamento pelas melhorias do bairro, e sentimos que todos os antigos moradores estavam cansados e desanimados, pois muito já haviam feito. Não conseguia entender porque ninguém queria fazer nada pelo bairro. Hoje, eu entendo! Eu também me cansei!
A Quinta não recebe nada da prefeitura. É como se não fizesse parte da cidade. Mas "não pode fechar, porque não é condomínio!" Por outro lado, "não arrumam as ruas porque é condomínio"! Pode "picotar" terrenos, pode virar rota de caminhões, pode jogar lixo, pode retirar terra de terrenos para aterrar outros locais da cidade, e de nada adianta pedir socorro, pois aqui é terra de ninguém. O único serviço que recebemos da PMB, que inclusive funciona, é a coleta de lixo domiciliar. Mesmo assim, moradores de outros bairros jogam lixo em nossos terrenos e ruas, e alguns moradores da Quinta se preocupam em recolher esse lixo e colocar para a coleta na tentativa de manter nosso meio ambiente.
Tudo bem, já nos conformamos com o isolamento e com os buracos, com as tubulações de água rompidas e os concertos do DAE (que rompe o pouco de asfalto que restou para fazer o conserto e é incapaz de colocar massa asfáltica para tampar). Tudo bem, estamos acostumados já! Mas tudo isso é recompensado pelo ar puro e pela natureza que nos rodeia.
Mas agora, eis que surge uma luz no fim do túnel! Movimento na Quinta! Nós existimos! Eles nos notaram! Ohhhhhh!! Descobriram que aqui tem um buracão onde podem jogar os entulhos da cidade que não sabem mais onde colocar. E com a desculpa que vão consertar a erosão antes que ela acabe com a rua Carlos Alóia... (Que rua? Ali só tem um trilho no meio de buracos!). Que preocupação é essa agora? Acharam uma solução para o lixo deles, e lembraram de nós! Estão pensando que vamos ficar agradecidos pela lembrança e pelo presente? É como dar doce vencido para criança (aquele que ia ser jogado fora), e ainda falam que no final, nós vamos gostar! É pra acabar!
Romantismos à parte, vamos falar tecnicamente. Está sendo aterrada uma tubulação de águas pluviais que está ligada a uma boca de lobo que existia no ponto mais baixo da rua Carlos Alóia, que recebia água de toda a bacia de contribuição. Essa boca de lobo, que foi feita quando da implantação do residencial (era assim a denominação original), foi danificada, não recebeu manutenção por mais de 30 anos, e agora passou a ser um "grande buraco", segundo a Diretora do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da prefeitura, buraco este que está provocando a erosão. A referida senhora, afirmou ainda em entrevistas que a tubulação citada liga "nada a lugar nenhum", demonstrando uma visão técnica bastante peculiar. (curioso, pois se é apenas um cano ligado a um buraco, que não serve para nada, porque teria provocado a erosão?)
Queremos soluções detalhadas em Projeto Técnico de Saneamento feito por especialistas, que acredito que devam existir em uma prefeitura de uma cidade do porte de Bauru. Um projeto completo, com começo, meio e fim, que busca a solução final, e sabe onde vai chegar. Queremos um Projeto acompanhado de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) do profissional responsável (habilitado pelo Crea), onde ele assume a elaboração da proposta e responde por suas consequências.
Queremos soluções para nossos problemas, mas soluções técnicas. Não queremos soluções leigas nem baseadas em "achismos". Não queremos um "lixão" com apelido de "bolsão de entulhos", que solte chorume e contamine mais a lagoa. Queremos um Projeto de galerias, recomposição do solo e recuperação de área degradada. Não podemos ficar a mercê da "conscientização" da população que joga lixo orgânico nas caçambas, e depois escutar do poder público (aquele que tem o poder e toma as decisões) justificando: "-Sinto muito, mas a população é mal educada, e nós não pudemos fiscalizar, porque temos poucos fiscais, a equipe é acanhada e etc, etc, etc..."
Como dizia meu pai: "-Quem não tem competência, não se estabeleça!". Se a prefeitura não pode fazer um projeto adequado para o local, e muito menos fiscalizar o lançamento adequado dos entulhos, peço que nos esqueçam por mais 30 anos. Não queremos ser o depósito de lixo da cidade, não queremos ter nossas casas e bairro mais desvalorizados, não queremos mal cheiro e moscas (o bolsão já está exalando odor de lixão). Queremos ter direitos de escolha, queremos ser consultados. Enfim, não queremos resolver o problema do lixo do planeta! Se você acha que o pensamento "lixo, não no meu quintal" é um absurdo, então leve o lixo e entulho para sua casa, e ponha no seu quintal.
Engenheira civil Telma Maria Germani Peres ? CREA 0605210894