Internacional

Embargo ao Irã ganha força


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Teerã - Os aliados dos Estados Unidos na Ásia e na Europa manifestaram ontem apoio a sanções contra o petróleo iraniano, mas ainda há temores sobre o impacto econômico da medida para o mundo, e Teerã disse que o eventual embargo não irá demover o país de manter um programa nuclear.

Um dia depois da morte de um físico nuclear iraniano vítima de um atentado, o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, disse que o programa atômico do país é forte demais para ser perturbado por assassinatos como esse, o quarto vitimando um cientista nuclear.

Um jornal próximo à elite clerical do Irã defendeu que autoridades israelenses sejam assassinadas em retaliação, e Olli Heinonen, ex-inspetor de armas da Organização das Nações Unidas (ONU), disse que uma nova usina iraniana, praticamente à prova de bombardeios, pode fornecer ao país dentro de um ano suficiente urânio enriquecido para a produção de uma bomba.

O Irã nega ter a intenção de desenvolver armas atômicas, mas alusões a prazos como esse estimulam as especulações de que Estados Unidos e Israel poderiam recorrer a ações militares contra o programa nuclear iraniano.

Um dia depois da morte do cientista nuclear Mostafa Ahmadi Roshan, 32 anos, muitos iranianos manifestavam indignação pela violência e também pelas sanções econômicas impostas pelo Ocidente.

O Irã acusou governos estrangeiros, particularmente o de Israel, de orquestrarem o assassinato do físico.

 

Sanções ao petróleo

O presidente norte-americano, Barack Obama, sancionou no último dia de 2011 uma lei que impõe sanções a empresas que adquirirem petróleo iraniano, na esperança de que isso paralise o importante setor petrolífero do Irã e obrigue o país a abrir mão do programa nuclear. Diante disso, os principais importadores começaram a assumir posições, dividindo-se entre manter as boas relações com Washington ou saciar sua sede pelo petróleo iraniano.

Ontem, o Japão, cuja economia já se ressente das restrições à energia nuclear por causa do acidente de 2011 na usina de Fukushima, prometeu medidas concretas para cortar a compra de petróleo do Irã, em resposta a um apelo do secretário norte-americano do Tesouro, Timothy Geithner, que fez visita a Tóquio.

O Japão já solicitou comprar mais petróleo da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos. O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, começa no próximo fim de semana uma visita à Arábia Saudita, aos Emirados e ao Catar. O primeiro-ministro da Coreia do Sul, outro importante cliente do petróleo iraniano, parte hoje para os Emirados e Omã.

A China, maior cliente do petróleo iraniano, não deu anteontem pistas de que acatará as propostas norte-americanas destinadas a sufocar a economia da República Islâmica. Mas as autoridades dos EUA manifestaram otimismo, dizendo que vão prestar mais atenção às ações de Pequim do que às suas declarações públicas.

A União Europeia se mostra simpática à posição dos EUA. Os ministros de Relações Exteriores do bloco já concordaram em princípio com a adoção de um embargo, e detalhes devem ser definidos numa reunião no dia 23.

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