Vinícius de Moraes, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso Mozart, Chopin, Heitor Villa Lobos, Adoniran Barbosa, Pixinguinha, Martinho da Vila... São muitos os compositores que merecem ser lembrados hoje, dia 15 de janeiro, data em que é comemorado o Dia Mundial do Compositor. Graças a estes mestres, nossa vida tem musicalidade e sons incríveis. Hoje, o trabalho do compositor ganha impulso a partir do momento em que ele passa a se aliar às redes sociais e à cultura do compartilhamento. A grande indústria fonográfica vê surgir, cada vez mais, nichos de mercado pela Internet, que virou mídia alternativa de divulgação e, por que não, uma via de acesso a obras dos mais variados formatos e estilos, que não dependem mais de uma grande gravadora ou da grande mídia para ganhar visibilidade e reconhecimento do público.
O cantor e compositor Henrique Rosa, que viveu por muito tempo em Bauru, é uma prova disso. "Com a Internet, tenho a possibilidade de divulgar meu trabalho sem o apoio de uma grande gravadora", salientou. Para ele, o compositor que trabalha a Internet como meio de divulgação tem mais liberdade e não precisa se adequar a um formato pré-estabelecido e padronizado pela grande indústria cultural. Rosa foi um dos fundadores e vocalista da banda Capim na Lua, uma das mais atuantes na cena bauruense dos anos 90. Sua linha musical é marcada por um estilo ácido e influências que vão do rock à vanguarda paulista. "Pedaço de Assovio" é o nome do último CD dele.
Atualmente morando em Ribeirão Preto, Henrique Rosa toca a vida como publicitário, mas mantém sua carreira musical paralelamente. Conforme opina, as redes sociais e a outras ferramentas da Internet fazem um contraponto à padronização imposta pela cultura de massa. "Há muito compositor que faz música aplicando uma fórmula padronizada para vender, pensando no mercado. Isso não deixa de ser um talento, mas o problema é que essa fórmula tem predominado", aponta.
"Por outro lado, com a Internet, com as redes sociais, é muito legal poder ver a atuação de compositores que não teriam espaço na grande mídia. Com o advento dessas novas tecnologias, você pode divulgar suas músicas sem precisar obedecer a uma fórmula", diz. "É claro que, quando se tem um grande selo por trás, uma grande gravadora, você tem muito mais alcance", enfatizou Rosa, que teve várias de suas músicas gravadas por outros intérpretes, atuou em festivais e abriu shows de Cássia Eller, Arrigo Barnabé, Tetê Espíndola, entre outros.
Valorização do profissional
Apesar de seu importante papel no trabalho musical como um todo, Jotha Luiz analisa que o compositor, muitas vezes, pode passar despercebido.
Tem canal de televisão que, quando mostra um artista cantando, informa o nome do autor da música, que aparece no rodapé da tela da televisão. Mas isso é raro. Geralmente, não se mostra qual é a autoria daquela canção", alega o músico. Muitas vezes, para o grande público, fica a impressão de quem canta é que compôs a música.
Segundo Jotha, a carreira se amplia quando o compositor não somente compõe, mas toca e canta. "Se ele só escrever, acaba passando despercebido. O letrista amplia sua área de atuação cantando e atuando. Se ele só escreve, só consegue passar a letra e não a melodia".
"Música não é só entretenimento"
Música não deve se limitar apenas a uma perspectiva de entretenimento. "Eu tenho minhas composições pessoais, que não são feitas com intuito de alcançar o grande público. Você não pode ficar compondo só no sentido mercantilista", frisa o cantor e compositor Henrique Rosa. Apesar da Internet ter ajudado a lançar novos compositores, para Rosa a cultura de massa ainda é predominante. "Valoriza-se muito mais as músicas que são ?febres?, que surgem e somem de uma hora para outra. Essas canções, de certa forma, se tornam ?preferidas? porque há uma ditadura de mercado, que acontece através do famoso ?jabá?" , analisa. "A composição de sucesso não toca na rádio porque ela é um sucesso. A canção é tida como sucesso porque toca na rádio. O poder econômico define o que as pessoas devem ouvir. Vivemos uma verdadeira ditadura de mercado", finaliza Rosa.
É o compositor que assume a tarefa de revelar a cultura através de suas obras. É este profissional que consegue, através da melodia e da letra, transmitir traços de uma cultura, contar histórias, reivindicar, fazer uma crítica social, assim como expressar os sentimentos. Autor de mais de 500 músicas, Jotha Luiz é um dos letristas mais procurados por sertanejos.
Quem já ouviu e cantou grandes sucessos sertanejos como "Rédeas do Possante", com Zezé Di Camargo & Luciano; "Passa Lá" com Trio Parada Dura; "Bobeou a Gente Pimba", regravada por Edson e Hudson; não imagina que o autor de todas essas músicas mora em Bauru. Jotha, que também canta e toca, é um desses que aposta na capacidade de expressar os mais belos e profundos sentimentos através de suas canções. "A música é um meio para que o indivíduo possa expressar seus sentimentos. E a essência do compositor deve ser justamente essa - a de expressar o sentimento através de uma canção", destaca. "O compositor deve inovar o meio musical, inventar histórias, inventar novos estilos, nova forma de falar de música de uma maneira que seja fácil de interagir com o público", ressalta.
Sua primeira composição de sucesso foi gravada em 1983 pelo cantor Nilton César, um grande amigo e também parceiro de "Canta Quero Ver Você Feliz". Desde a década de 80, Jotha coleciona músicas gravadas por famosos, passando pelo sertanejo e samba, como Zezé di Camargo & Luciano, Leandro & Leonardo Edson & Hudson, Rick & Rener, Gian & Geovani, Sérgio Reis, Eliana de Lima, Cristina Monteiro, Grupo Sereno, Eduardo Costa, Gilberto & Gilmar, entre muitos outros. Em março, o músico completará 30 anos de carreira e pretende lançar um DVD com seus principais sucessos.