São Paulo - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) esteve na cracolândia na madrugada de ontem. Sem descer do carro, o governador circulou pelas ruas Helvétia e Dino Bueno, no centro de São Paulo, onde está concentrada a operação policial para impedir o consumo de crack na região.
Com carros da polícia nas esquinas, a cracolândia estava praticamente vazia durante a passagem do governador. Os usuários de crack caminhavam a algumas quadras dali, próximos à rua Santa Ifigênia. Alguns dormiam na calçada.
O carro de Alckmin circulou por cerca de dez minutos na cracolândia, escoltado por outro veículo. O governador deixou o local por volta de 1h20.
Operação
A Polícia Militar realiza desde o dia 3 uma operação na região da cracolândia para combater o tráfico de drogas e evitar aglomerações de dependentes na região. A operação deve persistir na região por tempo indeterminado.
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, afirmou anteontem que traficantes pequenos já foram presos e o Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) está trabalhando para mapear o caminho da droga que chega a região. "É um equívoco dizer que foram apreendidos só 300 ou 400 gramas de crack. Ocorre que a pedra de crack é menor que uma semente de laranja. Por isso deve contar pelo número de pedras apreendidas. São milhares de pedras recolhidas nesse período."
Já em relação aos dependentes, a polícia faz rondas pela região para evitar as aglomerações. A reportagem flagrou inclusive o uso de balas de borracha e bombas de efeito moral contra os usuários. O secretário afirmou que, após a reportagem, os policiais foram proibidos de portar os equipamentos.
Prazo
O secretário Ferreira Pinto afirmou na quinta-feira que a operação na cracolândia não tem prazo para terminar. Ele também afirmou que a operação foi planejada e negou ter havido erros.
"A contrário do que dizem por aí, a operação não tem prazo para acabar. A polícia vai permanecer enquanto tiver necessidade. Vamos apoiar as próximas fases da operação, apoiar os agentes de saúde e de assistência social", disse.
Um inquérito civil foi instaurado na terça-feira por quatro áreas do Ministério Público para investigar a operação. Segundo os promotores, o objetivo é descobrir quem está comandando a ação e se houve improbidade administrativa. Eles caracterizam como "desastrosa" a ação, que teria boicotado o trabalho que já estava sendo feito na região.
Anteontem, Ministério Público recuou e disse que não é possível afirmar, nesse momento, que a ação da polícia na cracolândia seja desastrosa. Também anteontem, foram presos vários traficantes e apreendidas pelo menos 16 mil pedras da droga.